• Matheus P. Oliveira

Encontros e Desencontros - A solidão faz parte de nós


Fonte: Imagem Buzznet

Depois de "As Virgens Suicidas", Sofia Coppola firmou-se em um estilo próprio de cinema. Como inspirações artísticas, ela tem Fellini e Antonioni. Ambos habilidosos em capturar o estado mais puro de seus atores, fazendo então obras-primas. Com Encontros e Desencontros não é diferente.

O filme mostra Bob Harris (Bill Murray) e Chalotte (Scarlett Johansson) na cidade de Tóquio. Bob é um astro do cinema que fará um comercial de uísque e Charlotte é apenas uma companhia para seu marido. Ambos vivem casamentos infelizes, tendo isso como um problema em comum. A solução aparece em uma incrível amizade que os une.

É visível que a falta de comunicação com os orientais não é mostrada de forma preconceituosa, mas com um leve tom cômico, e Sofia, junto ao Bill Murray, sabem fazer isso como ninguém. Aliás, o título original (Lost in Translation) aborda justamente a dificuldade da comunicação em Tóquio. Não só é uma abordagem como também é um termo utilizado pelos estadunidenses, pois ela significa "Perdidos na Tradução".

Para começar, a primeira impressão é de que Tóquio não nos pertence, inserindo o espectador como um mero turista. Na maioria das vezes, a cidade é observada pela janela de um carro ou pelas vidraças de um prédio. Os imensos letreiros repletos de neon batem nos olhos dos personagens, mostrando suas solidões e suas insônias frequentes.

A amizade entre Bob e Charlotte cresce graças a solidão, por razão do desgaste conjugal (um se apoia no outro). Graças também à insônia, pois os dois tem problemas com fuso-horário. A intenção de pôr uma cidade não pertencente aos protagonistas é para isolá-los cada vez mais, nos colocando perto deles. O silêncio é um detalhe fundamental. Ele apresenta situações que nos identificamos (borboletas no estômago, silêncios embaraçosos), fazendo com que nos entretamos com o alto grau de verossimilhança da estória.

Há uma cena em que a letra de uma música descreve o sentimento de Bob e Charlotte. Não há falas, apenas olhares e uma música de fundo. O final dá todo o crédito ao nome brasileiro "Encontros e Desencontros". Nele, Bob e Charlotte se encontram em um determinado local, no meio de uma multidão. Depois, os dois são separadas (metaforicamente) por essa mesma multidão. O que isso mostra? Nem Tóquio, nem os dois se pertencem, tudo é um desencontro. A realidade, apesar de ser dura, está sempre presente e cada um dos dois a carrega nas costas, querendo ou não.

Pode-se dizer que Sofia Coppola criou um filme puro. A fotografia, os passeios da câmera pela cidade, o estranho sentimento de nostalgia, a naturalidade nas atuações de Bill Murray e de Scarlett Johansson e a atmosfera melancólica presente. Todos esses detalhes formam "Encontros e Desencontros", tornando-o uma obra-prima dos anos 2000.

NOME ORIGINAL: LOST IN TRANSLATION

DIREÇÃO & ROTEIRO: SOFIA COPPOLA ANO: 2003

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