• Matheus P. Oliveira

Além da Linha Vermelha - Um panorama sobre a guerra


Fonte: Imagem Filminebandin

Terrence Malick (A Árvore da Vida, Cinzas no Paraíso) sempre se destacou por tratar temas poéticos em suas obras. Apresenta muitas das vezes personagens misteriosos que carregam poucas linhas de diálogos. Seu estilo sempre foi esse, desde Badlands - seu primeiro filme. Após o hiatus durante a década de 80, Malick retornou aos anos 90 com um belíssimo drama na Segunda Guerra Mundial.

Baseado no romance de James Jones, Além da Linha Vermelha se passa durante a batalha de Guadalcanal, mostrando o real terror de uma guerra. O elenco conta com Jim Caviezel, George Clooney, Sean Penn, Adrien Brody, John Cusack, Jared Leto e John Travolta.

Uma das vantagens desse filme é a possibilidade que ele nos oferece para vislumbrar a natureza. É agradável ouvir o canto dos pássaros e ouvir o zumbido do vento entre as folhas enquanto narrações cheias de filosofias surgem. Atendo-se a estas imagens, é possível esquecer que haverá uma guerra iminente dentro desse paraíso. Como de costume, Malick captura a beleza natural, assim tornando-a extremamente frágil e, ao mesmo tempo, introduzindo-a como uma personagem da estória. A intenção disso é mostrá-la como uma vítima dos feitios humanos.

No desenrolar da estória, acompanhamos o soldado Robert Witt (Jim Caviezel), que não se afeta pela má energia da guerra. Ele é o mais calmo de todos os militares, e parece ser o único a compreender toda a inutilidade que a guerra traz. As sequências de Witt com os nativos de uma ilha são incríveis, todas muito íntimas, contendo cantos suaves e, ao mesmo tempo, captando toda a pureza e a bondade das pessoas.

Um ponto importante é a subordinação militar, mostrada de forma intencional. É assim: o Capitão se submete ao Coronel e o Coronel se submete ao General. Em um determinado momento, o General Quintard (John Travolta) ordena que o Coronel Tall (Nick Nolte) elimine impiedosamente os japoneses. Em contrapartida, o Capitão Staros (Elias Koteas) é ordenado, de forma severa, pelo Coronel Tall para avançar as linhas inimigas. Apesar de estar ciente de que será um avanço fatal, ele apenas cumpre ordens de seu superior. Sobra sempre para o homem de menor patente.

Existem muitas partes ruins na guerra, uma delas é ficar longe das pessoas amadas. No filme, o soldado Bell (Bem Chaplin) passa frequentemente por isso, sonhando em voltar para os braços de sua mulher. Malick, então, põe a câmera próxima de ambos, mostrando intimidade, e nos entrega imagens do soldado junto a sua mulher. A partir disso, nós entendemos o quanto ele quer voltar para casa. Em contraste, o que vem a seguir não seria tão doloroso se não houvesse todo um desenvolvimento cuidadoso anteriormente, toda uma antecipação com as imagens já citadas e o aumento da expectativa. Metaforicamente, Bell leva uma facada no coração ao ler a carta enviada por sua mulher, avisando que quer o divórcio para se casar com outro homem. A expressão dele de frustração ao ler a mensagem é angustiante, e nós conseguimos compreender o que ele sente naquele momento.

Vale ressaltar que a guerra em si não significa a destruição em larga escala. Ela, na verdade, significa a luta interna de um homem que tem que lidar com o medo e a insegurança. Além da Linha Vermelha nos apresenta a crueldade da guerra, sem deixar de mostrar a beleza natural. É impossível descrevê-lo em alguns parágrafos, pois sua profundidade é imensurável.

NOME ORIGINAL: THE THIN RED LINE

DIREÇÃO & ROTEIRO: TERRENCE MALICK

ANO: 1998

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