• Leandro A. de Sousa

Thelma & Louise - A liberdade tem um preço


Fonte: Imagem Roger Ebert

Ser livre é algo não só físico como interno, não significa apenas sair por aí sem rumo, sem dar explicações ou satisfações a ninguém. Também é um desafio, pois para muitos o simples fato de sair da linha é algo assustador, é preciso trabalhar, pagar contas e se você for mulher você tem que ficar em casa, cozinhando, passando, limpando e cuidando do filhos. Bom, pelo menos é isso que a sociedade nos impõe.

Thelma & Louise nos fala sobre liberdade, mas não sobre qualquer tipo de liberdade, e sim a liberdade feminina, fala sobre duas mulheres que resolvem enfrentar o machismo de frente, sem medo e saem em uma grande aventura contra esse tipo de opressão. Depois de tudo o que passaram, já não havia mais nada a temer, elas já haviam enfrentado o lado mais odioso do mundo dominado pelos homens.

Thelma (Geena Davis) é uma dona de casa casada com um homem autoritário e que acha que é o pai dela ao invés de marido. É uma mulher assustada e que tem medo de se desprender dessas rédeas que o casamento pôs nela, no qual ela não tem sequer chances de se divertir.

Louise (Susan Sarandon) é uma garçonete em uma lanchonete, diferente de Thelma, Louise nos apresenta uma personalidade mais independente, é alguém que não tem medo de se aventurar e que não é presa a ninguém somente a ela mesma.

Ao longo do filme, vemos esses papéis se invertendo diversas vezes, mas ainda sim ambas experimentam o que é a liberdade em um mundo onde estão presas pelo machismo, e quando isso acontece descobrem que é algo tão bom que não queriam mais voltar para aquele mundo cheio de regras onde homem manda e mulher obedece. O roteiro apesar de depender de algumas coincidências para que o filme prossiga, nos entrega uma estória sólida e rica com um desenvolvimento surpreendente. Chega um ponto do filme que esquecemos quem elas eram no começo e só temos a imagem de duas mulheres poderosas e independentes.

Assim como liberdade, é um filme sobre auto-conhecimento também, onde as duas depois de se desprenderem das regras passam a descobrir habilidades e atitudes que elas nunca tomariam naquele mundo onde viviam, no fim essas atitudes terão consequências, mas já não importava, tudo o que deixaram para trás ficou para trás, elas só tinham uma a outra agora, isso significava que já não tinham muito o que perder, se uma fosse a outra iria.

Obviamente a sociedade não aceitaria aquilo, era inaceitável que duas mulheres fossem livres e que uma defendesse a outra a todo custo. Apesar de todos os esforços, sempre teremos que prestar satisfação a alguém, sempre será preciso que voltemos atrás ou sigamos em frente, mas para seguir em frente, é preciso ter coragem e ser mulher suficiente para isso.

Thelma e Louise não se intimidaram quando presenciaram o fim que aquela liberdade teve, o preço que elas pagaram era pequeno comparado as injustas consequências que iriam receber, elas olharam para o horizonte e tudo que se via no olhar delas era satisfação, era muito melhor aquilo do que continuar sendo maltratada por esse mundo e como último ato, as duas se entregam por completo a liberdade.

É um filme que apesar de ter quase 3 décadas, tem uma mensagem atual, é um filme atual, todo aquele desrespeito que ali vemos ainda existe e merece ser dizimado, é necessário lutar por uma sociedade igualitária assim como Thelma e Louise fizeram, e elas fizeram muito bem, se divertiram enquanto faziam, riram e choraram.

Fonte: Imagem Observer

FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER!

DIRETOR: RIDLEY SCOTT ROTEIRO: CALLIE KHOURI ANO: 1991

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