Crítica: Ghost in the Shell (2017)


Direção: Rupert Sanders

Roteiro: Jamie Moss

Elenco: Scarlett Johansson, Takeshi Kitano, Johan Philip Asbaek, Michael Pitt e Juliette Binoche

Ano: 2017

Nota (⭐⭐⭐ )

Ghost in the Shell é a primeira adaptação em live-action do mangá de mesmo nome. O filme foi dirigido por Rupert Sanders, responsável pelo mediano A Branca de Neve e o Caçador, mas que se destacou graças aos efeitos visuais - estes que lhe renderam uma indicação ao óscar. Não foi diferente com Ghost in the Shell, que apesar de ter inúmeros defeitos, capricha não só nos efeitos visuais, como também nas várias sequências de ação e na categorização do figurino, nos transportando para uma verdadeira atmosfera japonesa e futurística.

O filme se passa em um mundo futurista, apresentando a personagem major Motoko Kusanagi (Scarlett Johansson), que após ter o seu cérebro transplantado a um corpo sintético, começa a ter vislumbres de seu passado como uma humana.

Só para esclarecer: afirmo que não assisti as animações. Diversas pessoas reclamaram da falta de fidelidade do filme para com a história original e a desistência ao entregar algo novo para o gênero. Por isso, analisarei a obra por si só, não tendo como superfícies de comparação nem as animações, nem o mangá.

O primeiro ponto a ser destacado é o ambiente onde Ghost in the Shell se desenvolve. Tudo nele é colorido, a cada canto nos deparamos com hologramas e neons, nos entregando a alma de uma digna cidade japonesa futurista. À primeira vista, lembramos de Blade Runner devido à composição de cores presentes nele. Lembra também os trabalhos de Nicolas Winding Refn - como em Drive e The Neon Demon.

A primeira cena se assemelha vagamente ao momento da "fecundação" em 2001: Uma Odisseia no Espaço, pois nela é utilizada uma gama de cores primárias semelhantes à cena citada. É válido afirmar que em Ghost in the Shell trata-se também de uma fecundação.

Na questão do elenco notamos uma boa escolha, combinada aos seus devidos personagens: Juliet Binoche interpreta a Dra. Oulet, que é bastante carismática, estabelecendo uma bela química com a personagem Motoko; Johan Phillip Asbæk, com seu personagem Batou, insere o alívio cômico do filme, contrastando o melancólico clima presente que nele se encontra. Há também Takeshi Kitano (interpretando Daisuke Aramaki), que apesar de ter uma atuação monótona, entrega dois momentos que evocam a essência de alguns filmes japoneses - como O Ultraje e Hana-bi.

Scarlett Johansson entrega uma atuação comum, nada que saia do "relevante". O fato dela ter sido escolhida é, provavelmente, pelas sequências de pancadarias em Homem de Ferro 2 e Vingadores ou pelas performances em Lucy e Under the Skin. O motivo de sua escolha é, talvez, devido a sua inexpressividade facial, trazendo uma caracterização "robótica", necessária ao filme.

As sequências de ação, apesar de serem boas, criam uma confusão visual por causa do exaustivo uso dos efeitos especiais (não a todo momento, é claro). Algumas sequências fazem lembrar de filmes como Irreversível e Viagem Alucinante. Só para lembrar, existem algumas takes em câmera lenta totalmente desnecessários ao filme.

O roteiro tem duas partes: a primeira, que tenta introduzir um conceito interessantíssimo que poderia elevar o filme a uma guinada no gênero e representar dignamente o produto original (como eu disse, não falarei desse ponto); a segunda, que se reduz a um filme genérico de ação, entregando-se para o grande público e desistindo de todo o desenvolvimento antes construído, para transformá-lo num tiroteio e o resumindo numa frase de efeito que não pode ser chamada de outra coisa a não ser "clichê". Podem também ser intituladas, respectivamente, como "corajosa" e "covarde".

O filme gruda numa frase de efeito dita pela Dra. Oulet que com base nela, é usada como um subtexto, resolvendo todo o filme. O personagem Kuze (Michael Pitt) é um problema, ele começa como alguém sombrio semelhante ao Diabo (até visualmente), mas termina piegas como qualquer outro personagem raso, tentando desesperadamente se encaixar para algum propósito no filme, com o intuito de fechar o seu arco na estória a qualquer custo. Sem contar com o diálogo que ele tem com Motoko, aparentemente persuasivo, mas bem fraco. O último ato passa rápido igual ao vento! Detalhe: os 2 minutos finais do filme poderiam ter sido cortados.

Ghost in the Shell não é grandioso, longe disso. Poderia chegar a ser, mas apossou-se de um caminho preguiçoso para sua resolução. A partir do momento em que desistiu de ser audacioso, decidindo entregar-se ao puro espetáculo, deixou de ser algo promissor para o futuro das adaptações cinematográficas.

#Críticas #GhostintheShell