• Matheus P. Oliveira

Crítica: A Autópsia (2017)


 Fonte (Imagem): Where's the Jump

Direção: André Øvredal

Roteiro: Ian B. Goldberg e Richard Naing

Elenco: Emile Hirsch, Brian Cox, Ophelia Lovibond e Olwen Catherine Kelly

Nome Original: The Autopsy of Jane Doe

Ano: 2017

Nota (⭐                      )

Premissa é um fator que deve manter um filme em ritmo crescente. Todos os seus elementos precisam ser instigantes e necessitam fomentar nossa imaginação para o que virá. Os atos, é claro, devem permanecer unidos. Imprevisibilidade é outro fator, pois além de surpreender, nos instiga ainda mais, e 'A Autópsia de Jane Doe' faz isso muito bem - até chegar no início do último ato.

Apesar dos problemas, o filme tem uma boa introdução, a começar pelo plano inicial mostrando algumas folhas verdes, contrastando, a seguir, com os sequências da perícia averiguando uma casa, palco de um sangrento delito (enfatizando o marrom e o vermelho) - este é o clima estabelecido. Nessa casa é encontrado um cadáver enterrado - Jane Doe (Olwen Catherine Kelly). As especulações acerca da origem do corpo aumentam, e com isso, ele acaba sendo enviado para a autópsia, sob a supervisão dos legistas Tony Tilden (Brian Cox) e Austin Tilden (Emile Hirsch), ambos pai e filho.

Uma das coisas que funcionam muito bem nesse filme é a química estabelecida entre pai e filho, tornando crível a relação de ambos. A combinação de música e takes rápidos nos materiais de trabalho realçam não apenas a interação pessoal-profissional entre eles, mas também a agilidade e perspicácia no ambiente de trabalho. É algo que nos convence logo de cara.

O fato de Tony e Austin morarem em cima do trabalho, já revela por si só, uma dedicação ao ofício e uma certa entrega fora do normal. É uma segunda casa, pois as dimensões do local são as mesmas (corredores e inúmeros cômodos). Além de dedicação, terão também uma obsessão com o caso de Jane Doe - Austin nem tanto, pois sua namorada Emma (Ophelia Lovibond) o quer fora do trabalho como legista. A partir desse dilema, a pressão aumenta (de forma pobre), somado à aproximação de uma chuva (avisada pelo rádio) e ao mistério acerca de Jane Doe. Com isso, surge uma atmosfera até então inédita no filme, que é a claustrofobia. 

Infelizmente, a claustrofobia leva o filme a um patamar diferente - para a ruína. Segue com elementos sendo desenvolvidos com habilidade (como uma música premonitória, neuroses e pavores crescentes) para no fim tomar um rumo diferente. De CSI foi para um tipo genérico de filme de terror repleto de jumpscares desnecessários (você se assusta por desgosto). Alguns elementos de terror como rápidas aparições de monstros em corredores (parecendo estar no filme apenas para provar a habilidade do diretor na manipulação do escuro). De repente, se inicia uma mistura de Resident Evil com Atividade Paranormal, e cadê a Jane Doe? É esquecida na sala de autópsia e esquecida pelo roteiro. Isso sem contar com as decisões imbecis que os personagens tem de tomar, servindo apenas para o propósito de alavancar algo trágico na trama. Tendo a possibilidade de saírem, por que diabos eles voltam àquele terrível ambiente? 

Há uma sequência deprimente que trata da morte de um personagem. A reação de um outro personagem diante disso, é tão passageira quanto o vento (em menos de cinco minutos ele está melhor, como se ninguém tivesse morrido). Outra sequência é a de um elevador, onde Tony e Austin (pai e filho) esclarecem coisas pessoais da família (e o elevador enguiçado, dá para acreditar?).

Apenas nos últimos minutos do filme, depois de reviravoltas inúteis, Tony e Austin retornam à sala de autópsia e desvendam o mistério de Jane Doe (quando ela finalmente é lembrada) numa sequência genérica e deprimente, cheia de diálogos expositivos explicando tudo em pouquíssimos minutos - minutos que eu não vejo a hora de esquecer. O filme é concluído numa velocidade colossal como se tivesse pressa de acabar, nos dando a impressão de que enquanto Ian B. Goldberg escrevia essa parte do roteiro, sua bexiga rezava para encontrar um banheiro.