• Leandro A. de Sousa

Crítica | Guardiões da Galáxia Vol. 2 (2017)


Direção & Roteiro: James Gunn

Elenco: Chris Pratt, Zoë Saldaña, Dave Batista, Bradley Cooper, Vin Diesel, Karen Gillan, Pom Klementieff, Michael Rooker, Kurt Russell, Sean Gunn, Elizabeth Debicki, Sylvester Stallone, Chris Sullivan, Nathan Fillion e Tomy Flanagan.

Data de Lançamento:

27 de Abril de 2017 (Brasil)

5 de Maio de 2017 (EUA)

Nome Original: Guardians of Galaxy Vol. 2

Nota: ⭐⭐⭐⭐

Há quase 10 anos, quando Tony Stark sofria um atentado no Oriente Médio que quase lhe custou a vida, assim resolvendo que iria salvar o mundo vestindo uma armadura criada por ele próprio, a Marvel Studios era bem diferente. Na verdade, é difícil acreditar que já se passou tanto tempo desde o excelente Homem de Ferro, e atualmente Guardiões da Galáxia Vol. 2 é o 15° filme dessa franquia que arrecadou até agora mais de 10 bilhões de Dólares. Tudo isso de uma forma muito simples: A mesma fórmula de sempre. Guardiões da Galáxia Vol. 2 é essa fórmula em seu estado mais puro.

Filmes de herói são para pessoas do público infantojuvenil - sim, Batman V Superman é um filme para esse público, quer você queira ou não - e Guardiões da Galáxia Vol. 2 em nenhum momento tenta desviar desse caminho (tudo bem que existem, em alguns momentos, piadas com conotação sexual que provavelmente apenas os adultos irão entender), sendo um filme não só descontraído e despretensioso, mas extremamente divertido. Todas as vezes em que o Drax (Dave Batista) dava um risada eu não me aguentava e ria junto, é algo extremamente contagiante.

Drax de fato é um personagem que nessa questão evoluiu muito do primeiro filme para esse. No primeiro, ele era apenas um ser cheio de sentimento de vingança dentro de si, já nesse ele surpreende sendo o grande alívio cômico. Ele ainda tem dificuldade de entender alguns termos terrestres que Peter (Chris Pratt) fala e há também a quase inocência dele onde sequer entende o porquê de ser inconveniente falar de sexo ou perguntar sobre as partes íntimas de outra pessoa. Sim, o filme brinca com Tabus dos quais muitas vezes temos dificuldade de discutir simplesmente por achar inconveniente ou por uma vergonha boba.

Apesar de uma trama que nós já vimos não só em outros filmes da Marvel como em qualquer outro filme, ele é competente no que diz respeito ao seu ritmo e sua técnica. Em nenhum momento o filme se deixa ficar tedioso, muito pelo contrário, a todo momento tem uma cena bizarra de ação ou algum diálogo hilariante, e até mesmo piadas patéticas ficam engraçadas devido a situação.

É preciso dar o braço a torcer a direção de arte do filme que reside principalmente na caracterização de alguns alienígenas - essa caracterização prática, usando fantasias e maquiagem me lembra a usada em clássicos como Star Wars - como os Soberanos ou os que aparecem no local onde Yondu (Michael Rooker) está isolado (as robôs prostitutas, por exemplo). Não só isso, mas os efeitos especiais do filme são de encher os olhos, destaco a cena inicial do filme e as cenas de saltos onde os Guardiões lutam contra uma frota Soberana.

Ainda com uma trilha oitentista, como no primeiro filme, que sempre tem a ver com a situação ou que simplesmente é agradável aos ouvido. Uma trilha que nos envolve com as cenas e que por vezes nos sentimos tocados por suas letras. É formidável como foram selecionadas estas músicas e onde elas foram posicionadas ao longo das 2 horas de filme, complementando as cenas e sendo sempre contagiantes. De fato, a trilha sonora não pode ser manipuladora e usada como artifício para esconder uma cena ruim (não estou falando de Esquadrão Suicida), mas esse não é o caso de Guardiões.

O filme ainda sofre com alguns problemas recorrentes em produções da Marvel Studios, como algumas piadas fora de hora. O roteiro te força a rir quando você na verdade precisaria pensar melhor sobre a revelação de algum personagem. A cena em que Nebulosa revela as atrocidades que ela sofrera por parte de Thanos nos deixando mais íntimos da personagem e que infelizmente logo esse clima é quebrado por Kraglin (Sean Gunn).

O coração do filme fica por conta da temática de abandono paterno que Peter sofre por seu pai Ego (Kurt Russell). Nesse ponto que eu havia tocado anteriormente, dizendo que é uma trama repetitiva, onde o personagem aparece como alguém que tem a intenção de ajudar e no final acaba se revelando o grande vilão.

O filme nos rende um terceiro ato emocionante onde descobrimos as verdadeiras intenções de Yondu para com Peter desde sua infância, e o coração do filme fica pulsante quando ele percebe que Yondu sempre fora seu pai de verdade, por te-lo criado e o protegido de Ego. Tendo assim uma belíssima cena com toda a frota de saqueadores, que se você não se segurar realmente bate uma forte emoção.

Há uma pequena trama com Rocket (Bradley Cooper) onde conhecemos um pouco melhor o personagem e temos uma ideia de seu passado em um diálogo com Yondu, e também a forma como ele tem dificuldade de se entrosar com o restante do grupo sendo quase sempre alguém odioso. Rocket ainda tem dificuldade de entender sua própria natureza e não suporta ser chamado de Guaxinim, sendo suas atitudes uma forma de chamar atenção e provar que é mais do que um simples "Guaxinim".

Não adianta reclamar da velha fórmula da Marvel, ela nunca vai mudar, nunca veremos filmes sombrios e nunca veremos um filme +18 por parte desta, e isto não é nenhum problema. Como elucidei no começo da crítica, filmes de herói - pelo menos os que a Marvel e a DC tem como objetivo produzir - tem como público alvo o infantojuvenil. A Marvel finalmente aceitou isso e Guardiões da Galáxia Vol. 2 é a prova dessa confiança que ela tem com essa fórmula.

OBS: Há de fato 5 cenas pós-crédito, mas apenas uma realmente relevante para o futuro da Marvel Studios.

Sobre o Autor:

Leandro A. de Sousa, 18 de Maio de 1998, co-fundador e editor do Fala Objetiva. Adora estudar sobre montagem, fotografia e mixagem de som, mas tem dificuldades de passar isso para um texto por medo de falar bobagem. Ainda explorando essa incrível sétima arte, mas tem uma ligação mais forte com as séries de TV. Aspirante a Crítico de Cinema e a escritor de Livros que provavelmente só vão ser conhecidos por seus amigos e familiares. Ama o que faz, mesmo que ninguém partilhe desse amor. Twitter: _leandro_sa Instagram: leandro.as

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