• Leandro A. de Sousa

Crítica: Mulher-Maravilha (2017)


Direção

Patty Jenkins

Roteiro

Allan Heinberg

Elenco

Gal Gadot, Connie Nielsen, Robin Wright, Ann Wolfe, Doutzen Kroes, Samantha Joe, Lucy Davis, Elena Anaya, Eleanor Matsuura, Florence Kasumba. Rachel Pickup, Lisa Loven Kongsli, Chris Pine, David Thewlis, Danny Huston, Ewen Bremmer, Saïd Taghmaoui, Steffan Rhodri e James Cosmo.

Data de lançamento

01 de Junho de 2017 (Brasil)

02 de Junho de 2017 (EUA)

Nome Original

Wonder Woman

Nota

⭐⭐⭐⭐

Eu não posso mentir, eu adoro Batman V Superman, apesar de conseguir enxergar todos os erros que aquele filme possui e todos os exageros por parte do Snyder, foi emocionante demais assistir na tela grande pela primeira vez dois dos maiores super-heróis de todos os tempos batendo de frente um com outro. No fundo, e quase estando ali somente para preencher lacuna, estava Diana (Gadot), mais conhecida como Mulher-Maravilha. Alguns dizem que o DCEU começou errado, era preciso fazer filmes de origem para todos os personagens antes de juntá-los em tela. Mas convenhamos, só o Batman e o Superman juntos já somam 15 filmes sem contar com séries de TV e séries animadas. Se alguém realmente precisava de um filme de origem, esse alguém era a nossa Princesa Amazona, que nas mãos competentes da diretora Patty Jenkins, nos entrega um filme emocionante e digno dessa incrível personagem.

Patty Jenkins que aliás dirigiu o excelente "Monster" (no Brasil, "Monster: Desejo Assassino") de 2003 que rendeu um Oscar de melhor atriz para Charlize Theron. Desde então Jenkins fez parte apenas de alguns pequenos projetos na TV. Em Mulher-Maravilha, a diretora não só trabalha muito bem a origem da personagem como nos apresenta um lado totalmente humano da mesma e seu desejo de proteger os mais fracos. O cenário da primeira guerra cai como uma luva para a proposta do filme e enquanto temos a Ilha de Themyscira - ou Ilha Paraíso - sempre bela, com um tom claro e cores oscilando entre o verde e dourado e com as belíssimas amazonas (aaaah as amazonas...) sempre fortes e soberanas, temos uma Londres, cinza, escura e triste. É preciso dizer que a construção de mundo, não só na guerra, mas a própria Themyscira foram coisas que me deixaram impressionado. Infelizmente, logo somos tirados de lá e jogados no meio do campo de batalha.

A Gal Gadot consegue realmente convencer atuando como Diana Prince e nos faz entender de forma muito clara todas as motivações de sua personagem. Chris Pine nos mostra um homem aterrorizado pela Guerra e que quer mais do que ninguém a paz restaurada no mundo. A química entre ambos os personagens no filme é forte. Enquanto Diana é uma moça do interior que acabou de chegar na cidade, inocente em relação a esse mundo e que ainda acredita na bondade das pessoas, Steve Trevor já viu e viveu muito a podridão daquele mundo e tenta, mesmo que de forma desnecessária proteger Diana disso, embora, novamente, seja desnecessário.

O roteiro é conciso e, bom, redondo, vemos quase uma jornada do herói aqui (heroína no caso) - aliás, falando em heroína, o Ewen Bremmer está fazendo um bom papel no filme - mas apesar de ter uma história que segue uma linha reta, ela se desvia algumas vezes para se aprofundar em temas que vão além do feminismo, que está presente no filme, onde Diana enfrenta os velhos senhores da guerra demonstrando toda a sua indignação com as atitudes deles perante àquela situação. Na verdade, até questões raciais são abordadas no filme, como um índio falando que suas terras foram tomadas pelo povo de Steve Trevor; o personagem de Saïd Taghmaoui, diz em um momento para Diana que tinha o sonho de ser ator, mas infelizmente nascera com a cor errado.

O tão falado tom sombrio que muitos reclamam dos filmes da DC está sim presente, afinal estamos no cenário da Primeira Guerra Mundial, mas é de forma muito sutil, é dosado conseguindo deixar o filme leve mesmo em um período histórico tão sangrento. Falando em "dosado", as piadas do filme são todas postas de forma muito orgânica e em nenhum momento você sente que o filme quer lhe fazer rir só por rir, você ri pela situação, pois o diálogo onde a piada reside é conveniente para a risada, então você acha engraçado sem ao menos perceber.

O filme tem alguns problemas nas cenas de ação onde o uso um pouco exagerado não só do CGI como da câmera lenta, que é um recurso dispensável em determinada cena. E apesar de ser o melhor filme até então do Universo compartilhado da DC, ele cai em um problema recorrente dos filmes anteriores da franquia: a chegada do terceiro ato - exceto Esquadrão Suicida, o filme inteiro é um desastre. Talvez o primeiro problema, e foi algo até mesmo desnecessário, foi o fato de cair no clichê do vilão não ser quem pensávamos que era. Ares (Thewlis) que na luta não calava a boca e agia bem como aqueles vilões que ao invés de matar a personagem ficava fazendo discurso dizendo que a heroína nunca iria derrotá-lo, que era inútil, que o que ele estava fazendo era o certo etc, etc, etc. Alguns efeitos visuais da cena final são bem sofríveis e há o sentimento de que algumas cenas de ação (no filme todo na verdade) parecem não ter a mão de Jenkins. Há também alguns diálogos sofríveis como Diana dando lições de moral dizendo que acredita no amor, algo que beira a vergonha alheia - é, talvez eu esteja morto por dentro.

Mulher-Maravilha não é uma obra prima, na verdade passa bem longe disso. Mas após Mulher Gato e Elektra, finalmente temos um filme de Super-Heroína que faz jus a sua personagem. É de se esperar que depois desse venham muitos outros, para que nossas meninas também tenham alguém em quem se espelhar no Cinema de Heróis e Heroínas (não que elas não possam se espelhar nos heróis).

Sobre o Autor:

Leandro A. de Sousa, 18 de Maio de 1998, co-fundador e editor do Fala Objetiva. Adora estudar sobre montagem, fotografia e mixagem de som, mas tem dificuldades de passar isso para um texto por medo de falar bobagem. Ainda explorando essa incrível sétima arte, mas tem uma ligação mais forte com as séries de TV. Aspirante a Crítico de Cinema e a escritor de Livros que provavelmente só vão ser conhecidos por seus amigos e familiares. Ama o que faz, mesmo que ninguém partilhe desse amor. Twitter: _leandro_sa Instagram: leandro.as

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