• Matheus P. Oliveira

Crítica | Kingsman - O Círculo Dourado (2017)


Direção

Matthew Vaughn

Roteiro

Jane Goldman, Matthew Vaughn & Matt Byrne

Elenco

Colin Firth, Julianne Moore, Taron Egerton, Mark Strong, Halle Berry, Elton John, Channing Tatum & Jeff Bridges

Data de Lançamento

28 de Setembro de 2017 (Brasil)

22 de Setembro de 2017 (Exterior)

Nota

⭐⭐⭐

Kingsman: O Círculo Dourado é inferior ao seu antecessor, O Serviço Secreto; e falo isso não afirmando que ele seja ruim, mas apenas inferior. Pois bem, eu digo o porquê: evidentemente, O Círculo Dourado, por ser uma continuação, já carrega consigo o destino de não ser original, e isto já lhe põe em xeque automaticamente, porque as doses se repetem - e repetem-se de forma exagerada. Ambos os filmes Kingsman, como sabemos, são puro entretenimento, mas se eu fosse assisti-los novamente, veria, do segundo, apenas as sequências de ação que me agradaram; e o primeiro, ao contrário, o veria por completo, justamente porque o seu todo é bem mais interessante do que o de seu sucessor (é mais "redondo", limitando-se ao que propõe). Ou seja: se O Círculo Dourado se contivesse às características que deram originalidade de antes ao primeiro, ele poderia se equiparar-se ou superá-lo. Deixá-lo "redondo" não seria num todo uma desvantagem.

(Há, inclusive, a maior quantidade das sequências de ação que, temo eu, ser uma vantagem apenas a curto prazo).

Eu até entendo os que dizem preferir O Círculo Dourado a O Serviço Secreto - entendo, de verdade. Não só entendo como sei o motivo: euforia do momento. E por que a euforia? Kingsman: O Cículo Dourado é basicamente uma versão "turbinada" do seu antecessor, tornando o que já era grande, ainda maior. A intenção de pôr cenas mais elaboradas e grandiosas, expandir o leque de personagens e inserir um vilão mais ameaçador são justamente os pontos cruciais para reinserir o público na sequência - fato que de tão velho já não é mais novidade; desse modo, todos irão assisti-lo, e de preferência, no cinema, onde tudo que já é grande, torna-se colossal e extraordinário. A cena inicial de O Círculo Dourado é colossal e extraordinária (com todas as letras) e impressiona, pois é apenas o início. Nela descobrimos que realmente vemos um filme digno de ter como título a palavra Kingsman; daí nasce a euforia.

Mas volto a dizer, Kingsman: O Círculo Dourado não é ruim, pois o sucesso do primeiro filme já ditava o que veríamos posteriormente; e já ditava porque o que todos nós queríamos era algo ainda maior e melhor, que superassem, por exemplo, a famosa cena da chacina na igreja cometida por Gallahad (Firfh); e como era de se esperar, superaram. Por outro lado, se perguntarem qual é a cena mais marcante de Kingsman: O Círculo Dourado, a resposta, provavelmente, terá uma cadência menor se comparada a de O Serviço Secreto. A resposta, não hesitante, surge como um projétil ao sair de uma arma: "A cena da igreja!"

Entendam, o meu problema com este Kingsman não é com as sequências de ação nem com suas "otimizações", mas com o modo de como ele será lembrado (este, pois, é o meu receio). Percebe-se nele uma produção mais forçada; mais empurrada goela abaixo. A confiança na satisfação do público faz isso acontecer; e o sucesso do primeiro, ainda mais. Agora, há um ponto positivo nisso tudo, mesmo que sirva como gatilho para o terceiro filme: a carga emocional entre os personagens se mostra mais tangível aqui. Vemos, por exemplo, que Gary (Egerton) se casa com a Princesa Tilde (Alström), estabelecendo uma visível antítese com o garanhão James Bond; vemos o retorno de um Galahad (Firfh) com amnésia fortalecendo ainda mais os laços de amizade entre Gary e ele; vemos um espaço maior para o desenvolvimento do personagem Merlin (Strong), fazendo com que criemos a empatia que não encontramos no longa anterior; vemos a introdução de personagens mais peculiares que interagem positiva e negativamente com os já conhecidos Gary e Galahad, que são o Chefe da Statesman (Bridges) e o cowboy Whiskey (Pascal), que rouba a cena com suas pistolas fumegantes e seu chicote dilacerante; há, inclusive, dois personagens que tornam evidente um antagonismo de ordem política no longa: o Presidente (Greenwood) dos EUA e a intimidadora Poppy (Moore) - e esse ponto, aliás, é interessante, pois torna ambíguo o valor vilanesco de Kingsman: O Círculo Dourado (nós pensamos: "Quem é, na verdade, o vilão deste filme?").

Mas afinal, em que isso ajuda se temos um filme que beira ao genérico, que de tão alto que está, pode ter uma queda fatal? Se no primeiro longa, uma única cena bastou para torná-lo marcante, por que ser diferente com este segundo? Por que, a cada ato, tem-se a impressão de vermos dezenas de sequências estrondosas de ação? Por que atrapalhar o ritmo do longa com caricatas aparições do Elton John? Já disse e repito, não tenho problemas com isso, mas por que não estabelecer um equilíbrio? Igual ao fazer uma comida: pouco sal, muito insossa; muito sal, salgada demais; com isso, o filme ganha um prazo curto de validade e uma breve euforia, correndo o risco de cair no esquecimento. No entanto, pode acontecer de eu estar redondamente enganado, ou coberto de razão. Não se sabe ao certo como vai ser; o filme, assim, morrerá ou viverá.

Pronunciada por Galahad no 1º filme, esta é a citação que define O Serviço Secreto: “Não existe nobreza alguma em ser superior a outra pessoa. A verdadeira nobreza é ser superior a você mesmo.” Mas e a citação que define o 2º filme, onde se encontra? Ela, talvez, nem exista.

Sobre o Autor:

Matheus P. Oliveira, 6 de Agosto de 1998, co-fundador e editor do Fala Objetiva. Estuda Jornalismo e Cinema - este último de forma autodidata. Ainda sonha em conhecer por completo o rico universo que o Cinema possui. Atualmente tem como inspiração o crítico Roger Ebert e, de forma árdua, tenta unificar ao máximo todas as outras artes em sua mais que amada arte: o Cinema. Quanto ao futuro - não muito distante -, ele pretende dirigir e escrever alguns filmes.

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