• Matheus Oliveira

Os 20 Melhores Filmes de 2017


Aqui estão 20 filmes que nasceram em 2017. O mesmo ano no qual o site que estão acessando nesse momento, nasceu. Talvez este seja o post mais simbólico até então, pois ele representa todas as raízes e fundações do nosso trabalho.

A insegurança anda ao lado, como uma amiga que nos força a sermos cuidadosos com nosso conteúdo, para sempre entregar algo com uma qualidade mínima, pois sabemos que nossos poucos leitores estão acostumados a isso. E os que nos acompanham desde o início, também devem ter percebido a nossa evolução, que não deve cessar jamais. Não enquanto o site estiver no ar.

E graças a esse mesmo site, 2017 foi o ano em que eu mais fui ao Cinema (de longe!); o que me faz voltar para 2014, onde a semente que plantei desde minha infância, finalmente cresceu e começou a dar frutos. Tal semente seria o meu amor pela sétima arte, aquela capaz de despertar todos os sentimentos possíveis - mas não vou me prolongar, pois isso é clichê. Aliás, foi um ano de muito clichês, mas também de grandes surpresas. Em uma sala escura eu ri, chorei e quis socar alguns realizadores.

Mas acima de tudo, eu entendia a grandiosidade dessa arte. Todas as vezes que as luzes se acendiam, eu entendia... E quando me sentava em frente a uma tela de computador, como esta que estou usando para escrever esse pequeno texto, eu sentia essa grandiosidade. Não importa se o filme era bom ou ruim.

Não tenho a pretensão de ser um grande crítico, apenas quero continuar falando sobre a minha arte, aquela que por diversas vezes serviu-me de refúgio. Esta lista com esses 20 filmes são uma pequena parte do grande aprendizado que tive em 2017. Ainda assim, sei que falta muito para que eu me torne um verdadeiro amante e apreciador dessa arte e, por isso, parar de ver filmes não é e jamais será uma opção. E isso vale para todos nós.

O importante é assistir, seja como for: no Cinema, em casa através do DVD, Blu-Ray, VHS, "((((torrent))))".

Nunca parem de assistir.

Feliz ano novo!

Obs.: A lista segue principalmente os lançamentos no Brasil, por isso filmes como "Silêncio" e "Moonlight" estão presentes. Porém, alguns filmes que só lançarão em 2018 aqui, estão presentes, devido ao fato de termos tido a oportunidade de assisti-los antes.

 

EM RITMO DE FUGA (BABY DRIVER)

Baby Driver é aquele tipo de filme que grita familiaridade, tanto pelos seus personagens, quanto pela sua narrativa; nele há o que já vimos em centenas de filmes. Mas o diferencial aqui é a direção ágil, fluida e estilosa de Edgar Wright, que consegue criar, ironicamente, algo completamente novo. Graças as técnicas já vistas em seus trabalhos anteriores (Trilogia do Cornetto e Scott Pilgrim), em Baby Driver ele as usa em abundância, transformando-lhe em um musical de ação, onde cada acelerada de um carro ou uma sequência de tiros ganha sincronia com a música de fundo. Tudo nele é divertido, tanto para assistir quanto para ouvir, e por isso Baby Driver é de longe o filme mais estiloso do ano.

O SACRIFÍCIO DO CERVO SAGRADO (THE KILLING OF A SACRED DEER)

Aos que assistiram a Dente Canino e O Lagosta talvez se sentirão familiarizados com O Sacrifício do Cervo Sagrado, um dos filmes mais alegóricos de 2017 (igualando-se apenas a Mãe!). Com o objetivo de fazer uma releitura da tragédia grega Ifigênia em Áulide, o diretor Yorgos Lanthimos pôs em seu filme temas como sacrifício e dilema, e personagens ambíguos, nos quais depositamos total desconfiança. Ao contrário de O Lagosta, O Sacrifício do Cervo Sagrado não é uma sátira. Lanthimos fez um filme tão tenso e misterioso quanto o de Darren Aronofsky deste mesmo ano.

PROJETO FLÓRIDA (THE FLORIDA PROJECT)

Projeto Flórida é o melhor filme do ano, e se ele estivesse num pódio, levaria a medalha de ouro. Escrito e dirigido por Sean Baker, esta obra consegue ser mágica e cruel ao mesmo tempo. Mágica, porque maquia a realidade dos adultos através da alegria contagiante das crianças; e cruel, por deixar a realidade alheia, mas sempre palpável para o espectador (ela está presente, mas é sempre sugestiva). Apesar de possuir um veterano como Willem Dafoe, quem realmente chama a atenção são os atores iniciantes, cujas performances exprimem um grau elevadíssimo de naturalidade - e a maioria deles são crianças. Aliás, um destaque para Brooklynn Prince, que expressa como ninguém a carisma e a doçura de uma criança.

Projeto Flórida é um filme que de certo modo nos faz refletir sobre uma questão: "O que seria do mundo sem as crianças?"

LOGAN (IDEM)

Desde X-Men: O Filme, os fãs esperavam aquele Wolverine brutal dos quadrinhos, mas sempre o tinham como uma versão limitada, tanto em habilidades quanto em aparência. A espera parecia interminável, até que este ano, James Mangold, presenteou os fãs com Logan, o melhor filme do Wolverine e um dos melhores filmes de herói do ano. Mas Mangold não quis apenas mostrar um mutante brutal e um banho de sangue, mas um homem em busca de redenção (e isto explica o envolvimento do público com Logan). O filme se completa pelos clichês de gênero, mas a simpatia que temos pelo ator Hugh Jackman e por seu personagem é o que lhe dá peso. Há, também, um fator crucial para este envolvimento emocional: este filme foi a última interpretação de Hugh Jackman como o memorável Wolverine.

A GHOST STORY (IDEM)

Não teve em 2017 um filme mais original do que A Ghost Story. Esta originalidade, que é evidente, vai de suas técnicas até a sua trama (sempre imprevisível). A direção de David Lowery é misteriosa, introspectiva e, acima de tudo, sublime. É um daqueles filmes que contemplam o silêncio, e constroem certa poesia a partir dele. A Ghost Story é uma obra para meditar, e a sua "falta de pressa" faz parte desse exercício.

MÃE! (MOTHER!)

"Ame-o ou odeie-o", este talvez seja a lema de Mãe!, um filme cuja qualidade empata apenas com a sua audácia. Responsável por gerar as opiniões mais polarizadas do ano, Mãe! é uma obra provocante, visionária e extremamente complexa. Discorrer sobre seu enredo seria um exercício de futilidade. Pensem que ao lado de 2001: Uma Odisseia no Espaço e A Árvore da Vida estaria Mãe!, formando uma tríade de obras que beiram ao hermetismo.

DESAMOR (NELYUBOV)

Desamor é um filme para poucos, mas todos deveriam assisti-lo. Sua primeira metade pode parecer fria e distante; a segunda, repleta de angústia. Mas tudo é proposital, e seu título é autoexplicativo. O diretor, Andrey Zvyagintsev, que dirigiu Elena e Leviatã, mantém em Desamor a câmera de forma estática, parecendo contemplar a melancolia da gelada Rússia, que é a própria representação de sua população - e dos personagens, é claro. A realidade apresentada neste filme é estarrecedora.

ME CHAME PELO SEU NOME (CALL ME BY YOUR NAME)

Um belo lugar pode inspirar uma bela paixão, e isto podemos ver em Me Chame Pelo Seu Nome, filme de Luca Guadagnino. Nele temos Elio, um jovem de 17 anos, e Oliver, um acadêmico, que se conhecem num remoto verão de 1983 e apaixonam-se um pelo outro. O pano de fundo é a cidadela italiana Lombardy, e suas paisagens são o tempero para o sentimento crescente entre Elio e Oliver. Passeios de bicicleta, mergulhos em belos lagos e a vista de florestas paradisíacas são o que preenchem o charme do filme. Tudo em volta é rústico e evoca paixão; Elio e Oliver, quando juntos, parecem monumentos gregos; e isto, ao que parece, é proposital. Luca Guadagnino fez um filme simples, mas composto por atuações delicadas e repletas de nuances. Tudo é construído pelo silêncio, e isto o torna sublime. E por falar em sublime: a química entre os atores Timothée Chalamet e Armie Hammer é uma das coisas mais lindas já vistas no Cinema.

A VILÃ (AK-NYEO)

A Vilã é um exemplo da forma superando o conteúdo (e isto, de certo modo, é um elogio). Por ser sobre vingança, ele parece um Oldboy estilizado e completamente frenético (aliás, há uma sequência de luta claramente inspirada nele). A cada cena vemos a personalização da transgressão, e todas elas são filmadas de forma magistral. Sua estética evoca violência e suas sequências de ação são de tirar o fôlego. A Vilã é o tipo de filme que nos ganha já em seus primeiros oito minutos (e é por isso que ele não figura nesta lista à toa).

CORRA! (GET OUT)

Corra! é um filme de terror, mas usa a sátira para discutir as questões raciais (e este é, obviamente, o seu ponto mais forte). O diretor, Jordan Peele, traz ecos de sua carreira de comediante em seu filme de estreia, inserindo sutis alívios cômicos dentro de uma atmosfera de extrema opressão. O equilíbrio entre o terror latente e o humor satírico é fenomenal, e nos faz refletir duramente sobre o que vemos em tela. Não é o terror pelo terror que conta aqui, mas o subtexto que há nele - e isto o torna valioso. Corra! é um dos filmes mais singulares de 2017.

LADY BIRD (IDEM)

Além de ser um excelente coming-of-age e um dos melhores filmes do ano, Lady Bird marca a estreia de Greta Gerwig na direção. Depois de atuar em diversos trabalhos e co-escrever alguns dos roteiros com Noah Baumbach, Greta encontrou seu dom atrás das câmeras. Em poucas palavras, seu filme é possuidor daquela rara pureza cinematográfica, a qual procuramos, de forma falha, explicar em palavras. Repleto de momentos felizes e tristes incrivelmente dosados, Lady Bird consegue ser verossímil (beirando, às vezes, à poesia). Os diálogos e a natureza das atuações parecem ter sido tirados da vida de Gerwig, pois evocam (com sinceridade) lembranças de seus anseios e frustrações quando jovem. E quanto a atuação de Saiorse Ronan, dispenso comentários (puro carisma!). Pensem em Lady Bird como um Boyhood elipsado, mas igualmente grandioso.

Se Lady Bird não é o melhor filme do ano, é o mais inspirador.

O FILME DA MINHA VIDA (IDEM)

O Filme da Minha Vida parece ter sido feito com a única intenção de ser nostálgico. Selton Mello, em seu primeiro longa Feliz Natal, já havia se revelado um diretor brilhante, cujo toque para a arte era de uma sensibilidade ímpar; em O Palhaço, o segundo, isto se confirmou. Neste, a nostalgia é algo que lhe dá certo tempero. Suas imagens parecem ter saído das lembranças mais doces de Selton Mello. O Filme da Minha Vida é o filme brasileiro mais adocicado e suave do ano.

SILÊNCIO (SILENCE)

Silêncio é o filme mais pessoal de Martin Scorsese, justamente por sua forte relação com o catolicismo. Vimos em outro filme dele, Caminhos Perigosos, o cristianismo traduzido através da culpa de um personagem. Já em Silêncio, este elemento é representado com assombrosa cadência. No filme acompanhamos um personagem que é relutante com sua fé até o fim da vida - como uma cruz. De alguma forma, este personagem representa cada pessoa deste mundo que luta para manter firme suas crenças. Talvez nisto consista a força de Silêncio, o 24º filme de Martin Scorsese.

THELMA (IDEM)

Nem sempre devemos interpretar um filme de forma literal. Por trás de toda alegoria, há sempre uma ideia que é explicada através da sátira ou da metáfora - e assim é Thelma, quarto longa do dinamarquês Joachim Trier. Nele, temas como repressão, educação rigorosa e medo são vestidos com elementos oníricos, e cabe a nós interpretá-los de forma correta. Seu clima é sombrio e possui um mistério latente a todo momento. Sua introdução é intrigante, e já deixa pontas soltas.

EU, TONYA (I, TONYA)

Eu, Tonya é uma mistura de dois grandes filmes: Os Bons Companheiros, pelo estilo ágil de filmagem e pela trama de ascensão e decadência; e Fargo, pela "comédia de erros". O diretor, Craig Gillespie, sabe utilizar adequadamente suas inspirações e, ao mesmo, consegue ser ousado ao utilizar alguns elementos de metalinguagem. O filme é baseado na real e irônica história da patinadora Tonya Harding, que é mais lembrada pelo escândalo envolvendo sua colega Nancy Kerrigan do que por sua manobra Triple Axel, esta que lhe colocou no panteão da patinação por um bom tempo. Além de trazer de volta à luz este relato, o filme faz uma dura crítica ao tal lema "terra das oportunidades".

OBS: Há uma cena em um julgamento onde vemos o poder da performance de Margot Robbie.

MANCHESTER À BEIRA-MAR (MANCHESTER BY THE SEA)

Será que é mais fácil perdoar ou se perdoar por ter magoado alguém? São estas questões que circundam Manchester À Beira-Mar, filme dirigido e escrito por Kenneth Lonergan, e vencedor do Óscar de Melhor Roteiro Original. Este é um filme cujo clima é pesaroso desde o início, e de cara não sabemos o porquê. Todavia, a fotografia nos revela suas facetas, quase em paralelo às informações que colhemos sobre o passado dos personagens; daí entendemos o motivo de tanto pesar. A normalidade com que os personagens compartilham suas tristezas influencia toda a natureza do filme (justificando, assim, o pesar), e a neve incessante da cidade parece a alma de cada um deles. As atuações de Casey Affleck e Michelle Williams traduzem o que foi dito.

UMA MULHER FANTÁSTICA (UNA MUJER FANTÁSTICA)

Todos em Uma Mulher Fantástica parecem ser hostis - exceto Marina, a protagonista do filme. Logo de cara sabemos que ela terá inúmeras dificuldades ao longo da trama, pois ela é transexual. Marina namora Orlando, um homem de 57 anos, seu amável confidente. Mas numa madrugada remota ele morre, e a partir deste incidente, a vida de Marina se complica. Assim, uma série de atitudes preconceituosas e hostis são jogadas contra ela em decorrência disso. A direção de Sebastian Lelio traduz todo o desespero de Marina, e parece nos pôr em comunicação direta com ela. Neste filme não há conforto nem recompensa, pois é a realidade que nele é mostrada. A sensação de incômodo em Uma Mulher Fantástica será frequente, e é nisto que consiste a sua força.

MOONLIGHT: SOB A LUZ DO LUAR (MOONLIGHT)

Moonlight é um belíssimo filme sobre a busca por identidade, e desde o seu lançamento tornou-se necessário. Protagonizado por atores negros e dirigido por um cineasta negro (Berry Jenkins), a Academia, numa rara atitude de inclusão, deu ao filme 3 estatuetas (Melhor Filme, Ator Coadjuvante e Roteiro Adaptado). É visível nele a própria realidade de Berry Jenkins, e pela sinceridade com que ela é representada, torna Moonlight um filme importantíssimo.

BINGO: O REI DAS MANHÃS (IDEM)

Bingo: O Rei das Manhãs é um filme cuja estética contribui para um saudosismo direcionado ao período televisivo brasileiro dos anos 80. Sua própria atmosfera remete ao estilo rápido e "violento" de Martin Scorsese, encontrado em seus longas de máfia. Bingo, em questões de trama, se assemelha a obras como Os Bons Companheiros e Boogie Nights - isto é, graças a famosa estrutura de ascensão-queda-redenção. A direção de Daniel Rezende é ágil, frenética e inteligente, e seu trabalho anterior como montador reflete-se neste filme que é seu debut como diretor.

O ESTRANHO QUE NÓS AMAMOS (THE BEGUILED)

O Estranho Que Nós Amamos é um remake do filme homônimo de Don Siegel, lançado em 1971. Esta nova versão, dirigida por Sofia Coppola, veio com o objetivo de "retirar a poeira" do longa de Siegel e fazer alguns ajustes nele. Com uma estética polida e subjacente, Sofia traz suavidade à sua versão de uma obra que há muito era vista com um certo aspecto brutal. Além disso, introduz uma série de estrelas igualmente talentosas: Nicole Kidman, Kirsten Dunst, Ellen Fanning e Colin Farrell. O Estranho Que Nós Amamos é tenso e erótico ao mesmo tempo.

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