• Matheus P. Oliveira

Crítica | Correndo Atrás de um Pai (2018)


Direção

Lawrence Sher

Roteiro

Justin Malen

Elenco

Owen Wilson, Ed Helms, J.K. Simmons, Kat Williams, Terry Bradshaw, Ving Rhames, Christopher Walken e Glenn Close

Data de Lançamento

18 de Janeiro de 2018 (Brasil)

22 de Dezembro de 2017 (Exterior)

Nome Original

Father Figures

Nota

⭐⭐

Filmes que não fazem sentido ou que não se assumem como idiotas, têm geralmente suas debilidades demonstradas através das falas dos personagens (como se quisessem maquiar erros grotescos ou dar importância a algo inútil). Assim é este pavoroso longa, dirigido por Lawrence Sher.

"Isso não faz sentido", "nós somos idiotas" e "o universo fez isso e aquilo" são exemplos desse tipo de fala; não possuem nexo e tornam nítido o que antes foi dito - e o longa de Lawrence Sher, infelizmente, as têm. Observem, por exemplo, a primeira frase citada: "Isso não faz sentido." São apenas quatro palavras que explicam a essência do filme sobre o qual eu escrevo. É como se o roteirista, Justin Malen, nos sussurrasse num tom de voz doloroso: "...isso não faz sentido..." Ele mesmo sabe que o seu roteiro, sendo ruim, não funciona.

Aliás, no fim das contas, a parte mais interessante disso tudo é que somos nós as testemunhas dessa catástrofe em 24 quadros por segundos. Correndo Atrás de um Pai é, em poucas palavras, uma catástrofe.

Agora, é inevitável pensar, como esta crítica vai se suceder com tantos comentários negativos em tão poucas palavras? A resposta é simples: eu preciso falar dele, e a sua má qualidade deve ser comentada, pois é intrigante. Sendo assim, lá vai: Correndo Atrás de um Pai nos apresenta dois irmãos, Kyle (Wilson) e Peter (Helms), que, quase numa obra do acaso, resolvem sair em busca de seu verdadeiro pai. E, como é previsto desde o início, a jornada torna-se um absurdo de erros (nem digo "comédia", pois não há muita graça na maioria das cenas). O filme, essencialmente, é uma série de desventuras inseridas numa trama anárquica que pode ser descrita como mediana. Não fazem muito sentido nem possuem stiuações bem resolvidas. Inclusive, o roteirista tenta pôr a culpa no Universo ao colocá-lo como responsável pelas ações que surgem de forma caótica (como se nem o próprio roteirista pudesse prevê-las); ainda por cima, é audacioso a ponto de transformar o Universo (Williams) num personagem crucial (para, talvez, justificar toda a bagunça). Assim, a cada momento em que os irmãos encontram um "pai" e, ao mesmo tempo, descobrem "outro" (isso mesmo, em aspas), tudo torna-se um caos, e a bagunça do universo é a justificativa. Daí a razão do quão intrigante é tal artifício; de tão criativo, é tolo e preguiçoso (sim, isso é contraditório).

Enquanto eu escrevia esta crítica em meu bloco de notas, pensei diversas vezes: "Será que estou sendo cruel com este filme?" Após um tempo, pensando novamente, a reposta surgia: "Não, eu não estou sendo cruel. O filme é que está!" E, como prova disso, nunca neste ano eu havia me mexido tanto numa poltrona de cinema, nem revirado tanto os olhos com piadas de "xixi" e sexo. Já vi filmes que me trouxeram esta sensação (não pelas piadas, mas pela má qualidade): The Room, O Jantar, A Autópsia, Lion - Uma Jornada Para Casa, Esquadrão Suicida, A Vigilante do Amanhã, Alien: Covenant e, agora, este.

"Aaargh! Por aí não!", pensava eu enquanto assistia-os.

Em suma: Correndo Atrás de um Pai se apresenta como um filme de desventuras, revestido por uma trama anárquica que usa a desculpa do caos do Universo para introduzir o caos em sua narrativa. Não há, assim, detalhes interessantes neste filme, pois apenas preenchem a busca dos irmãos Kyle e Peter por seu verdadeiro pai - que também é desinteressante, já que não tenta levar-se a sério. Desse modo, há pelo menos uma questão que precisa ser entregue ao Universo: se ele é responsável por todos os acontecimentos, então por que permitiu que este filme fosse criado?

Sobre o Autor:

Matheus P. Oliveira, 6 de Agosto de 1998, co-fundador e editor do Fala Objetiva. Estuda Jornalismo e Cinema - este último de forma autodidata. Ainda sonha em conhecer por completo o rico universo que o Cinema possui. Atualmente tem como inspirações os críticos Roger Ebert e Pablo Villaça e, de forma árdua, tenta unificar ao máximo todas as outras artes em sua mais que amada arte: o Cinema. Quanto ao futuro - não muito distante -, ele pretende dirigir e escrever alguns filmes.

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