• Matheus P. Oliveira

Dica do Dia | Desamor (2017)


Desamor não é um filme para todo mundo, e certamente há razões para isso (o próprio título as justifica). Sua primeira metade, para alguns, pode parecer fria e distante; a segunda, bastante angustiosa. Mas tudo isso é proposital. No centro da história temos um casal, Zhenya e Boris, cujo casamento arruinou-se. Eles desejam o divórcio e, ao mesmo tempo, colorem suas vidas com novos amores. Entre o arruinado casal há um filho, chamado Alyosha, que sofre em silêncio pela desagradável situação. Nem Zhenya, nem Boris lhe dão a devida atenção, até que um dia ele some de casa (e a partir disso, o filme toma um rumo mais sério). À procura de Alyosha, os dois percebem com mais frequência suas infelicidades e frustrações.

Tendo dirigido O Retorno, Elena e Leviatã, o diretor Andrey Zvyagintsev mantém, com frequência, sua câmera de forma estática, parecendo contemplar o desalento da gelada Rússia, esta que é a própria representação dos personagens retratados no filme. Até mesmo nos momentos mais fortes (emocionalmente falando), o diretor os filma de forma fria e distante, tentando trazê-los mais próximo da realidade. Desamor venceu o Prêmio do Júri do Festival de Cannes este ano e segue sendo um dos melhores filmes desse ano.

(Aliás, o filme mais próximo desse, em questão de atmosfera, é Os Suspeitos, de 2013).

Desamor (Nelyubov - Rússia, 2017) Direção: Andrey Zvyagintsev. Roteiro: Oleg Negin. Elenco: Maryana Spivak, Aleksey Rozin, Matvey Novikov, Marina Vasilyeva e Andris Keišs . Duração: 128 minutos.