• Leandro A. de Sousa

Crítica | Jogador N°1 (2018)


Direção

Steven Spielberg

Roteiro

Ernest Cline, Zak Penn & Eric Eason

Elenco

Tye Sheridan, Olivia Cooke, Ben Mendelsohn, Lena Waithe, T.J. Miller, Simon Pegg, Mark Rylance, Philip Zhao, Win Morisaki, Hannah John-Kamen, Ralph Ineson, Susan Lynch, Clare Higgins, Perdita Weeks, Cara Pifko, Vic Chao, Cara Theobold, Isaac Andrews, Joel MacCormack, Kit Connor, Leo Heller, Antonio Mattera, Ronke Adekoluejo, Lynne Wilmot, Letitia Wright, Kae Alexander, Michael Wildman, Lulu Wilson e Adolfo Álvarez.

Data de Lançamento

29 de Março de 2018 (Brasil e Exterior)

Nome Original

Ready Player One

Nota

⭐⭐⭐

É fato que para se realizar um filme "pipoca" não é preciso muito: com uma estrutura narrativa simples, personagens pouco complexos e um objetivo sem muita importância você tem a formula perfeita para um filme raso que possui em vista somente o entretenimento - o que, na verdade, não tem absolutamente nada de errado, afinal, um dos princípios básicos do cinema é o entretenimento. No fim, um filme blockbuster não é menos arte do que um filme feito para os "cults". É fato também, que há décadas nos entretemos com alguns enlatados vindos da terra do Tio Sam, sem questionar muito a qualidade de tais obras, e isso, como qualquer coisa dentro da arte, teve um início e um nome por trás. Assim como a raça humana, esse tipo de filme veio do mar, e quem pescou esse peixe foi um homem responsável por uma verdadeira revolução no que conhecemos como Cinema - na metade dos anos 70, mais precisamente. E para fazer um blockbuster sobre a cultura pop vista entre os anos 80 e o século 21, Steven Spielberg era a única escolha possível.

Jogador N° 1 é um filme que só não é mais Spielberg porque não foi feito nos anos 80 - sequer seria possível. A questão é que o cineasta é o verdadeiro protagonista dessa obra, pois o filme em si é como qualquer outro que já vimos, e por mais que eu ache preguiçoso utilizar referências - as piscadinhas de olhos dos roteiristas são encontradas em cada canto do longa -, seria hipocrisia minha dizer que não é gostoso pescar várias delas (que vão desde Mortal Kombat até Alien), tornando o longa uma verdadeira ode a cultura pop. Assim como qualquer filme desse gênero, Jogador N° 1 peca no seu roteiro, ao passo que acerta em cheio quando se trata do quesito diversão.

A ideia de nos colocar dentro de um jogo virtual casa ainda com a mensagem que o longa supostamente tenta passar, que é sondada logo em seu início (com uma narração expositiva, que apresenta a tecnologia, suas possibilidades e o seu criador), e que hoje em dia, enfrentamos esse problema com a internet, onde passamos mais tempo conectados do que na vida real. Mas julgar esta atitude torna-se tolice quando pensamos que, ao longo da história, ideias revolucionárias sempre tomaram conta de 90% do nosso tempo. O que Jogador N° 1 parece tentar elucidar é como a cada invenção, que nos tira do mundo real, toma ainda mais controle de nossas vida; no OASIS, nós literalmente podemos construir uma vida e sermos quem queremos ser. A ideia é tentadora, e me animo com a possibilidade de ainda estar vivo em 2045 (mas não muito, pois já passamos de 2015 e ainda não temos skates voadores)

Como disse anteriormente, e volto a frisar, Jogador N° 1 tem a estrutura narrativa mais óbvia que pode existir. Nosso protagonista, Wade Watts (Sheridan) é o modelo perfeito de "O Escolhido": ele não sabe bem quem é nem qual o seu propósito na vida, e torna-se o primeiro a atingir um objetivo que muitos tentaram, mas nenhum conseguiu; além de claro, ter perdido os pais ainda muito jovem, sendo forçado a morar com um parente (no caso, a tia) que tem um namorado abusivo e violento; e o filme sequer se dá o trabalho de explorar esse último ponto, a fim de dar complexidade ao protagonista, que só se torna interessante quando estamos dentro do próprio OASIS. Quero dizer, não o personagem em si, já que somente características físicas podem ser mudadas; mas lá dentro, além de conhecer outros personagens, nos aprofundamos na história e...

(Suspiro) Sinceramente, não gostaria de falar muito mais sobre a narrativa e a trama do filme, pois não quero que pareça que não gostei dele (talvez eu tenha gostado menos do que meus colegas da área). Mas gostaria de falar um pouco sobre o seu realizador, pois chega a ser romântica a forma como Spielberg homenageia a cultura pop nesse projeto - a sequência de O Iluminado torna-se emocionante ao lembrar que Kubrick e eles eram amigos.

Em 75, quando Spielberg lançou Tubarão, era sabido que ali havia algo de novo. Muitos não sobreviveram à radiação que George Lucas e ele emanaram nessa época. Muitos morreram junto à Nova Hollywood. O que torna a experiência de ver um filme como Jogador N°1 tão incrível é lembrar que o seu realizador, querendo ou não, escreveu boa parte do roteiro desse filme; e ele fez isso nos últimos 40 anos. Por isso, me isento de falar sobre a qualidade narrativa de Jogador N°1, pois é um filme feito com um único intuito, sendo isso tudo o que importa: diversão. E, ao menos de um ponto de vista totalmente técnico, o faz de forma inventiva, criativa e ágil. Mesmo que o objetivo seja correr atrás de um Macguffin do mais vagabundo, tendo um vilão extremamente desinteressante e um romance ridículo, a diversão está presente.

E se tem um homem que entende de diversão, é o mesmo que nos despertou interesse por arqueologia com o seu Dr. Jones, o que nos deixou boquiabertos com um dinossauro "de verdade" e o que nos emocionou com Oskar Schindler.

Sobre o Autor:

Leandro A. de Sousa, 18 de Maio de 1998, co-fundador e editor do Fala Objetiva. Ama estudar o Cinema em todos os seus aspectos. Sabe que ainda tem muito o que aprender, tanto no que diz respeito à Sétima Arte quanto à escrita, tendo como principal inspiração nessas áreas o grande Roger Ebert. Aspirante a Crítico e Diretor/Roteirista de filmes de baixo orçamento (perceba como ele tem vontade de passar fome). Ama o que faz, mesmo que ninguém partilhe desse amor.

Twitter: _leandro_sa

Instagram: leandro.as

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