• Matheus P. Oliveira

Crítica | Rampage: Destruição Total (2018)


Direção

Brad Peyton

Roteiro

Carlton Cuse, Adam Sztykiel e Ryan J. Condal

Elenco

Dwayne Johnson, Naomie Harris, Jeffrey Dean Morgan, Joe Manganiello, Malin Åkerman, Jake Lacy, Jack Quaid, Marley Shelton, P. J. Byrne. Breanne Hill e Matt Gerald

Data de Lançamento

12 de Abril de 2018 (Brasil e Exterior)

Nome Original

Rampage

Nota

⭐⭐⭐

A presença de animais em larga escala nos filmes (especificamente nos live actions) é, há muito tempo, motivo de deleite e felicidade para grande parte do público, e uma megalomaníaca conquista para a história do Cinema. Gorilas, dinossauros, cobras, crocodilos - tais criaturas provaram o nível de esforço desta conquista e, inevitavelmente, o resultado tornou-se certo: eles se consolidaram no imaginário coletivo.

De King Kong (1933) à Jurassic Park (1993), o anseio do público de ambas as épocas era o mesmo: o de ampliar a imaginação. O mesmo não se pode dizer do nível de exigência de ambos os públicos e do nível de rigor dos diretores, que eram completamente diferentes (e é só comparar, por exemplo, o modo como foram criados o gorila do filme de 1933 e os dinossauros do filme de 1993). O público então, cada vez mais empolgado em imaginar gigantescas criaturas no mesmo ambiente de seres humanos, tornaram-se mais exigentes; e os diretores, por consequência, mais rigorosos e até lunáticos.

E naturalmente, Brad Peyton e seu novo longa, Rampage: Destruição Total, seguiram este caminho confuso e bastante caótico, já traçado antes por "Sharknados" e "Anacondas". Nele, como podemos ver, os absurdos são os fatores mais evidentes e necessários; e The Rock, que aqui interpreta um primatologista chamado Davis Okoye, é o menor desses absurdos. Na franquia Velozes e Furiosos, por exemplo, The Rock parece ser mais forte e potente do que os próprios automóveis, tamanha sua imponência e presença. Em Rampage, por sua vez, ele se torna uma "formiguinha" quando posto ao lado de George, seu gorila albino, e das outras criaturas, um lobo e um crocodilo, o maior dos absurdos.

Assim, sabendo que veremos em tela um gorila, um lobo e um crocodilo destruindo a cidade de Chicago (e finalmente Nova Iorque foi poupada!), é plausível esperar algo não menos extravagante. Afinal, grande parte do público gosta desse tipo de extravagância.

E por ser baseado no jogo clássico oitentista de mesmo nome, pode-se dizer que Rampage tem certa justificativa para ser exagerado, mas não para ter sido criado; sua natureza, de raízes já conhecidas (e graças a muitos outros filmes do mesmo tipo), pede algo assim. Portanto, é justamente esta natureza que o desqualifica. E, consequentemente, Rampage, ao invés de ter se mantido como um jogo, tornou-se um filme. Um filme que, assim como Transformers, Sharknado e Anaconda, ficará numa prateleira empoeirada reservada àqueles filmes cuja única ambição foi ser visionário visual e sonoramente nas salas de Cinema.

Eis aqui, pois, o resultado do forte anseio e deleite de um público que adora ver criaturas gigantes destruindo cidades. Isso, acredito eu, se saturará - e uma das evidências disso se encontra no próprio Rampage, uma barulhenta e confusa experiência.

Sobre o Autor:

Matheus P. Oliveira, 6 de Agosto de 1998, co-fundador e editor do Fala Objetiva. Estuda Jornalismo e Cinema - este último de forma autodidata. Ainda sonha em conhecer por completo o rico universo que o Cinema possui. Atualmente tem como inspirações os críticos Roger Ebert e Pablo Villaça e, de forma árdua, tenta unificar ao máximo todas as outras artes em sua mais que amada arte: o Cinema. Quanto ao futuro - não muito distante -, ele pretende dirigir e escrever alguns filmes.

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