• Matheus P. Oliveira

Uma Palavrinha #002 | Baseado em Fatos Reais (2018)


Baseado em Fatos Reais é aquele tipo de filme que nos permite pensar de forma literal e metafórica, mas nos induz a escolher esta última por ser mais interessante. Seus elementos, ali visíveis, possuem feições extremamente simbólicas, e de tão chamativas que são, ganham caráter metafórico. Desse modo, analisá-lo através do sentido literal, significa perceber apenas a sua superfície.

Inspirado no romance homônimo de Delphine de Vigan, o filme conta a história de Delphine Dayrieux (Seigner), uma escritora de sucesso, que inicia uma relação peculiar com uma admiradora de nome Elle (Green) que, aos poucos, passa a controlar a sua vida com uma crescente violência física e psicológica. 

Analisando esta premissa, é possível notar nela certa familiaridade, que vem com a exclamação "Eu já vi isso antes!". No entanto, esta é a sua forma literal. Baseado em Fatos na Reais é, na verdade, um drama introspectivo que possui como protagonista uma escritora com bloqueio criativo. Desse modo, ela precisa lidar com o sucesso repentino que seu livro gerou e o medo de embarcar numa nova aventura literária; e nisso é que entra a personagem Elle, uma mulher extremamente misteriosa e metafórica, que é fã assídua de Delphine.

Seria Elle uma projeção da mente de Delphine como um elemento motivador para o desenvolvimento do enredo de seu próximo livro, ou simplesmente uma "admiradora" à la Annie Wilkes? São dessas indagações que surgem a forma literal e metafórica de interpretar Baseado em Fatos Reais.

Parecendo retornar àquele mesmo clima visto na Trilogia do Apartamento (Repulsa ao Sexo, O Inquilino e O Bebê de Rosemary), Roman Polanski introduz em Baseado em Fatos Reais uma boa dose de paranoia; e mistura, além disso, elementos de outros filmes no seu (Louca Obsessão e Persona são alguns desses exemplos) para, talvez, enriquecê-lo. 

Sobre o Autor:

Matheus P. Oliveira, 6 de Agosto de 1998, co-fundador e editor do Fala Objetiva. Estuda Jornalismo e Cinema - este último de forma autodidata. Ainda sonha em conhecer por completo o rico universo que o Cinema possui. Atualmente tem como inspirações os críticos Roger Ebert e Pablo Villaça e, de forma árdua, tenta unificar ao máximo todas as outras artes em sua mais que amada arte: o Cinema. Quanto ao futuro - não muito distante -, ele pretende dirigir e escrever alguns filmes. 

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