• Leandro A. de Sousa

Crítica | Somente o Mar Sabe (2018)


Direção 

James Marsh

Roteiro 

Scott Z. Burns

Elenco 

Colin Firth, Rachel Weisz, David Thewlis, Andrew Buchan, Ken Stott, Kit Connor, Eleanor Stagg, Finn Elliot, Jonathan Bailey, Sam Hoare, Anna Madeley, Oliver Maltman, Sebastian Armesto, Adrian Schiller, Simon Chandler, Richard Teverson, Genevieve Gaunt, Dilyana Bouklieva, Tim Downie, Stuart Davidson e Laurence Spellman

Data de Lançamento 

26 de Abril de 2018 (Brasil)

28 de Novembro de 2017 (Exterior)

Nome Original 

The Mercy

Nota 

⭐⭐

Nem sempre possuir em mente uma história grandiosa com personagens relativamente complexos é o suficiente para sair algo de bom de um filme. Se não houver uma boa administração no que diz respeito à narrativa e edição, o máximo que irá ser feito é um sonífero poderoso, ou algo tão atroz que nos fará nunca mais querer pisar em uma sala de Cinema com medo de assistir algo como aquilo novamente. Somente o Mar Sabe se encaixa na primeira categoria, sendo um filme que tenta (apenas tenta) ser grandioso de alguma forma, mas tem uma narrativa tão confusa quanto sua edição cansativa (e digo isso com a segurança das reviradas de olhos a cada vez que entrava um novo flashback em tela), que faz com que a poltrona se torne tão confortável quanto nossas camas. A história grandiosa de Donald Crowhurst (Firth) pode até ser interessante, para quem se interessa pelo tipo de assunto, mas o filme não se propõe a ser somente para um seleto grupo, pois caso o fizesse, não teríamos um diálogo expositivo explicando detalhadamente como funciona o barco que Donald está construindo para partir para sua aventura ou os exatos detalhes dessa mesma aventura; isso sem contar a narração, que faz questão de reforçar cada uma da informações já explicadas na cena anterior. E apesar do filme ser grandioso em relação às atitudes de seu protagonista, é clara a falta de história para comprimir as 1h45 de filme, nesse caso, a preguiça do roteirista é reforçada quando nos pegamos assistindo um filme que seria mais honesto caso se chamasse "105 minutos de... NADA!". Isso sem contar nos facilitadores narrativos: chega a ser hilária a tentativa frustrada de conferir tensão ao longa, fazendo com que o protagonista atraque com o seu barco em um lugar aparentemente hostil, mas que logo ele está de volta seguro em sua embarcação, já que esse mesmo habitantes desse lugar "hostil" resolvem de bom grado consertar o seu barco, sem pedir nada em troca. Ah, mas vai saber o que se passa na cabeça desses personagens. Talvez o mar saiba. Com isso, é incrível a incapacidade do longa de nos prender por pelo menos 5 minutos, e é uma pena que um ator tão incrível como Colin Firth tenha caído em um projeto tão medíocre como esse. E apesar disso, Firth ainda consegue conferir uma complexidade mesmo que mínima a Donald, mas somente um personagem não tão interessante seria suficiente para manter um filme como esses. E novamente: o roteiro não tem muito interesse em contar uma história, apenas jogar informação no colo do público.

É também de se pensar como o longa retrata a imagem de Donald Crowhurt. Não conheço a história do homem real, e bem, se o filme prefere tratá-lo como um homem frustrado com a sua vida em terra, ao ponto de arriscar tudo, incluindo o conforto de seus familiares para partir em uma aventura extremamente perigosa - mesmo que fosse pelo dinheiro, certamente não era o caso de ir para uma morte quase certa somente por 5 mil Libras -, é bom que o longa esteja muito bem amarrado aos fatos, ou de qualquer outra forma, ele estaria sendo extremamente desrespeitoso a um sujeito já falecido. Novamente, não há motivos para se contar uma história se não há a capacidade de administrar seus núcleos, tendo em mente contar algo por contar. E sinceramente, existem outros lugares na Europa além do Reino Unido, e tenho certeza que esses outros lugares têm histórias tão ou mais interessantes do este. Depois de um ano com Dunkirk, dois filmes com Winston Churchill (O Destino de Uma Nação e Churchill), esse universo compartilhado já pode chegar ao seu desfecho, pois até agora os seus realizadores não parecem conhecer a palavra "qualidade" - apesar disso tudo, retiro Dunkirk dessa conta.

No mais, infelizmente não é somente o mar que sabe o quão medíocre essa obra é.

Sobre o Autor:

Leandro A. de Sousa, 18 de Maio de 1998, co-fundador e editor do Fala Objetiva. Ama estudar o Cinema em todos os seus aspectos. Sabe que ainda tem muito o que aprender, tanto no que diz respeito à Sétima Arte quanto à escrita, tendo como principal inspiração nessas áreas o grande Roger Ebert. Aspirante a Crítico e Diretor/Roteirista de filmes de baixo orçamento (perceba como ele tem vontade de passar fome). Ama o que faz, mesmo que ninguém partilhe desse amor.

Twitter: _leandro_sa

Instagram: leandro.as

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