• Matheus P. Oliveira

Crítica | A Noite do Jogo (2018)


Direção

John Francis Daley e Jonathan M. Goldstein

Roteiro

Mark Perez

Elenco

Jason Bateman, Rachel McAdams, Billy Magnussen, Sharon Horgan, Lamorne Morris, Kylie Bunbury, Jesse Plemons, Michael C. Hall, Kyle Chandler, Danny Huston, Chelsea Peretti, Camille Chen, Joshua Mikel, Michael Cyril Creighton, John Francis Daley, Jonathan Goldstein, Jessica Lee, Jeffrey Wright, R.F. Daley, Brooke Jaye Taylor, Zerrick Williams, Malcolm X. Hughes, Natasha Hall e Curtis Lyons

Data de Lançamento

10 de Maio de 2018 (Brasil)

23 de Fevereiro de 2018 (Exterior)

Nome Original

Game Night

Nota

⭐⭐⭐

A Noite do Jogo é aquele tipo de filme que não se leva a sério. Possui conteúdo, é divertido, é bem feito, mas todo os seus atributos servem apenas para divertir o público. Mas felizmente, ao contrário de muitos outros filmes que são vendidos como entretenimento, este, de fato, entretêm, e nos recompensa com seus 100 minutos de duração. Dirigido por John Francis Daley e Jonathan M. Goldstein, e escrito por Mark Perez, A Noite do Jogo possui a introdução adequada para a categoria de filme à qual ele pertence. Repleto de personagens sem muita (ou sem nenhuma) profundidade, o roteiro e, consequentemente a direção, preferem agilizar a apresentação de cada um deles utilizando planos rápidos e informações intuitivas, que conseguem mostrar de forma concisa a caracterização de personagens que pouco exigem uma caracterização. Lembrem, por exemplo, do início de Magnólia, e de como os personagens nele são apresentados - notem a rapidez; A Noite do Jogo tem algo semelhante a isto. E além de ter uma competente e concisa introdução, todo o filme é breve, ágil e possui um ritmo, no mínimo, razoável (há poucos momentos em que sentimos tédio ou a sensação de que as cenas estão "arrastadas", pois a maioria das cenas fazem a trama progredir, por mais que nelas existam algumas piadas fora de hora e elementos desnecessários). Nele, acompanhamos Annie (McAdams) e Max (Bateman), Michelle (Bunbury) e Kevin (Morris), Brooks (Chandler), Ryan (Magnussen) e Sarah (Horgan), que são fascinados por jogos de desafios. Eis então que numa sugestão do irmão mais velho de Max, Brooks, de jogar um jogo bem mais sério (ou mais parecido com a realidade), todos acabam se metendo em confusões, e a consequência disso é uma grande complicação em suas vidas. Sendo assim, a natureza de um jogo perigoso mistura-se com a realidade de uma trama conspiratória. E curiosamente, por ser entupido de referências a outros filmes, A Noite do Jogo não sai prejudicado, pois ele é, antes de tudo, uma espécie de paródia, e uma paródia, essencialmente, respira à base de piadas, trocadilhos e referências. No entanto, para que elas tenham força para prender o público, é preciso nelas uma mínima porcentagem de originalidade, e A Noite do Jogo a possui. A propósito, a sua própria narrativa clama por referências, pois é preciso avisar ao público em que terreno ele está; e isto, por mais que soe arrogante, acaba sendo divertido (é prazeroso, por exemplo, ouvir Annie recitando uma das falas mais icônicas de Pulp Fiction: Any of you fucking pricks move, and I'll execute every motherfucking last one of ya!). Aliás, para se ter noção, até os planos utilizados nesse filme são usados com certa originalidade. Listo dois: 1) numa perseguição de carro, um deles é filmado de cima, fazendo parecer que estamos num jogo de corrida; 2) com o intuito de proteger um cobiçado ovo, os protagonistas, para protegê-lo de mãos errados, passam-no de mão em mão (e este esforço mútuo é filmado num frenético plano-sequência). No entanto, nada é perfeito, e A Noite do Jogo peca com a maioria de seu elenco. E, como antes foi dito, falta aos personagens certa profundidade - e boas interpretações também. Assim, se torna evidente que é Rachel McAdams quem carrega o filme inteiro, pois sua atuação, que pouco se parece com a incorporação de um personagem, é, na verdade, uma manifestação do seu jeito alegre de ser e que, por isso, traz energia ao filme e à dinâmica entre os personagens; Jason Bateman e os demais atores, por consequência, não possuem a presença de McAdams, e isso prejudica a balança. Mas no fim, apesar das fracas atuações, o filme diverte com brevidade e concisão, tendo a noção do que é útil e o que é inútil dentro de seu universo, e não desperdiça o seu próprio tempo e o tempo do espectador com nulidades alarmantes. A prova disso é que não há a sensação de que algo faltou, nem de que algo se saturou. Assim, é aceitável dizer que A Noite do Jogo é respeitoso com seu público, e sabe que se ele se habilitou a assistir a uma patacoada de 100 minutos em um telão de cinema, que pelo menos a apresente de forma direta, sem rodeios e que mostre tudo o que deve mostrar.

Sobre o Autor:

Matheus P. Oliveira, 6 de Agosto de 1998, co-fundador e editor do Fala Objetiva. Estuda Jornalismo e Cinema - este último de forma autodidata. Ainda sonha em conhecer por completo o rico universo que o Cinema possui. Atualmente tem como inspirações os críticos Roger Ebert e Pablo Villaça e, de forma árdua, tenta unificar ao máximo todas as outras artes em sua mais que amada arte: o Cinema. Quanto ao futuro - não muito distante -, ele pretende dirigir e escrever alguns filmes.

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