• Matheus P. Oliveira

Crítica | Han Solo: Uma História Star Wars (2018)


Direção

Ron Howard

Roteiro

Jonathan Kasdan e Lawrence Kasdan

Elenco

Alden Ehrenreich, Woody Harrelson, Emilia Clarke, Donald Glover, Joonas Suotamo, Paul Bettany, Thandie Newton, Phoebe Waller-Bridge, Jon Favreau, Linda Hunt, Toby Hefferman, Jon Kasdan, Deepak Anand, Warwick Davis, Clint Howard, Richard Dixon, Ian Kenny, Anthony Daniels, Lily Newmark, Kiran Shah, Sema-Tawi Smart, Ray Park e Samuel Witwer

Data de Lançamento

24 de Maio de 2018 (Brasil)

25 de Maio de 2018 (Exterior)

Nome Original

Han Solo: A Star Wars Story

Nota

⭐⭐⭐

Han Solo: Uma História Star Wars é o tipo de filme que não pediu para ser feito nem adorado, mas para ser assistido uma só vez, digerido e, talvez, esquecido. Não é ruim, pois possui qualidades turvas dentro de sua própria mediocridade. E, como o seu próprio subtítulo revela e exige (Uma História Star Wars), ele é um filme que tenta emitir sensações saudosistas ao público, mas falha nas tentativas. Assim, por essa abordagem desencantada com relação aos elementos clássicos da saga, Han Solo se torna uma obra alheia, distante e esquecível; nunca ruim.

E, assim, como Star Wars: Rogue One, Han Solo é uma spin-off dos episódios principais, e a diferença entre os dois filmes, além das distintas histórias que os separam, é o grau de relevância de ambos: acompanhar a trajetória da rebelião em busca dos planos para destruir a Estrela da Morte é muito mais divertido do que explorar as origens do Han Solo.

Toda história precisa empolgar o espectador, seja ela introspectiva ou não. Tanto o roteirista quanto o diretor, em esforços mútuos, têm como objetivo desenvolver uma história empolgante e personagens que nos faça ter o mínimo de empatia. Dito isso, pode-se dizer que os roteiristas Jonathan e Lawrence Kasdan, se esforçam em desenvolver estes requisitos. No entanto, pelo fato de seus esforços se concentrarem numa tentativa de estabelecerem rasas caracterizações aos personagens sob os meros estereótipos do protagonismo e do antagonismo, tudo se torna muito superficial e repetido, mas não insuportável de ser assistido, pois a estrutura dos personagens, ainda que sejam familiares, fazem parte de uma generalidade que sempre amamos ver no Cinema.

E, consequentemente, no diretor Ron Howard, também é possível ver nele o esforço de fazer algo relevante; com a diferença, porém, de que Howard se dedica aos processos técnicos, tentando inserir ângulos de câmeras e transições de cenas jamais vistos nos episódios anteriores (as transições em cortinas, aqui, não estão presentes). Mas, no fim das contas, analisando os esforços dos roteiristas e do diretor, não é possível ver algo relevante em evidência em Han Solo.

Aliás, algo que eu pensei que seria presente neste filme, considerando o seu pleno descaso, era a indiferença com relação ao Han Solo (Ehrenreich) e ao Chewbacca. O filme não só estabelece rapidamente a amizade entre os dois e nos convence dela com a atuação mimética de Alden Ehrenreich (que, claramente, imita os trejeitos do Harrison Ford), como a desenvolve com a devida comicidade que merece (a comunicação entre os dois sempre será hilária). Entretanto, essa facilidade de se criar empatia com eles se deve aos episódios clássicos, e por nossa empatia já ter ultrapassado a mera interpretação dos atores. Ou seja, tudo isso não é mérito completo de Howard, nem dos Kasdan, mas há de se reconhecer, pelo menos, que eles não trataram Han e Chewie com desprezo - e isso é importante. Aliás, parte do passado de Han foi revelado neste filme, e junto disso, a origem de seu sobrenome "Solo".

Mais desvantagens do que vantagens, mais deméritos do que méritos, mas por que Han Solo, ainda assim, não é ruim? É simples: ele é um filme para ser assistido uma vez só e é capaz de divertir o espectador uma só vez. Sua frequente mansidão, por não ter momentos grandiosos, torna difícil a identificação de sua mediocridade, e a impressão geral que fica é de que apenas o seu ritmo é o detalhe problemático. Sendo assim, Han Solo é morno com o público, mas é um bom filme para aqueles que forem vê-lo uma única vez.

Sobre o Autor:

Matheus P. Oliveira, 6 de Agosto de 1998, co-fundador e editor do Fala Objetiva. Estuda Jornalismo e Cinema - este último de forma autodidata. Ainda sonha em conhecer por completo o rico universo que o Cinema possui. Atualmente tem como inspirações os críticos Roger Ebert e Pablo Villaça e, de forma árdua, tenta unificar ao máximo todas as outras artes em sua mais que amada arte: o Cinema. Quanto ao futuro - não muito distante -, ele pretende dirigir e escrever alguns filmes.

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