• Matheus P. Oliveira

Uma Palavrinha #004 | As Boas Maneiras (2018)


 

Na arte, o adjetivo "peculiar" é um clichê por excelência e, ao mesmo tempo, esclarecedor, pois é constantemente utilizado quando se quer atribuir a uma obra artística certa estranheza como qualidade ou quando esta, já por sua aparência externa (e, assim, prévia), chama a nossa atenção. Muito disso existe no Cinema, e As Boas Maneiras, como qualquer outro filme que é chamativo por sua estética (neste caso, lúdica e atípica), chamou minha atenção desde a sua aparição no Festival do Rio do ano passado (e nesse período, isto é, em Outubro, eu nem sequer o havia assistido). Assim, desde seu curioso pôster (que ilustra uma mão humana segurando, ao que parece, uma pata de cachorro) ao seu trailer extremamente sugestivo, revelador de uma prévia das performances de Marjorie Estiano e Isabel Zuaa, As Boas Maneiras se revelou uma obra inevitavelmente peculiar (e um termo, além deste, para defini-lo, parece impensável).

No filme, acompanhamos Ana (Estiano) contratando Clara (Zuaa), uma solitária moradora da periferia de São Paulo, para ser babá de seu filho que ainda não nasceu. De acordo com o avanço da gravidez, Ana começa a apresentar comportamentos estranhos, dando início a uma trama extremamente atípica para filmes brasileiros.

Com uma atmosfera que faz lembrar os filmes do Wes Anderson e os filmes de terror dos anos 70, As Boas Maneiras se mantém graças a sua diversidade de tons, que vão do lúdico ao visceral e do fantasioso ao realista. Imerso numa salada de estilos, As Boas Maneiras possui uma direção minuciosa e, ao mesmo tempo, despreocupada, responsável por nos proporcionar certos contrastes. Possuidor de um evidente senso de paranoia construído por detalhes que mal sabemos o que significa, os diretores Juliana Rojas e Marco Dutra cumprem o objetivo de nos preparar para o elemento surpresa do filme, que está relacionado à gravidez de Ana; e isto, obviamente, não pode ser revelado. No entanto, por ser episódico e longo demais, As Boas Maneiras se perde em tom e em ritmo, mas ainda assim é um ótimo filme para ser assistido.

Sobre o Autor:

Matheus P. Oliveira, 6 de Agosto de 1998, co-fundador e editor do Fala Objetiva. Estuda Jornalismo e Cinema - este último de forma autodidata. Ainda sonha em conhecer por completo o rico universo que o Cinema possui. Atualmente tem como inspirações os críticos Roger Ebert e Pablo Villaça e, de forma árdua, tenta unificar ao máximo todas as outras artes em sua mais que amada arte: o Cinema. Quanto ao futuro - não muito distante -, ele pretende dirigir e escrever alguns filmes.

Twitter: mathp_oliveira

Instagram: mathp_oliveira