• Leandro A. de Sousa

Uma Palavrinha #005 | A Morte de Stalin (2018)


Uma boa sátira tem dois poderes: o de informar e o de divertir. A Morte de Stalin, muito além de nós entreter com as situações as quais seus personagens se encontram, tem um viés informativo que nos deixa por dentro de toda a sujeira política que a União Soviética possuía durante e depois do governo tirânico de Josef Stalin. Isso, apoiado a um time de atores compostos por Steve Buscemi (sempre ótimo), Simon Russell e Jeffrey Tambor, todos eles no mais alto nível de caricatura e atuação. Sim, personagens caricatos por um lado, que ao longo da projeção vão sendo desconstruídos. Portanto, se você não conhece a fundo a história real, talvez se torne ainda mais prazeroso acompanhar essa clássica estrutura de Ascensão, Apogeu e Queda (?) - bom, esse último o filme deixa que a própria história conte, pois acompanhamos somente até a subida de Khrushchev (Buscemi) ao poder na URSS. Dessa forma, é uma pena que fatos como o Discurso Secreto não seja apresentado no filme - sim, mesmo que tal ocorrido tenha vindo a acontecer alguns anos depois da morte do ditador. Não somente os personagens vão sendo quebrados ao longo da projeção, como também o clima que o longa se propõe, que mesmo contando com bons momentos cômicos e que se encontra em um humor negro muito bem dosado com piadas que para alguns pode fazer rir até a barriga doer, o final define-se perfeitamente como "seco". Não sentimos a tensão antes das mortes, pois o diretor não nos prepara para elas. Quando vemos, o personagem já puxou o gatilho, já molhou o cadáver com gasolina e já acendeu o fósforo. O Humor Negro empregado por Armando Iannucci é de longe a sua maior virtude, mas, acima de tudo, a forma como ele emprega as ideologias de forma totalmente orgânica, fazendo com que não sintamos raiva, apreço ou qualquer sentimento em relação àquelas figuras (tanto que é possível sentir piedade de um indivíduo tão nefasto como Lavrentriy Beria), apenas rimos com elas. Bom, isso, como eu disse, somente até o final.

Sobre o Autor:

Leandro A. de Sousa, 18 de Maio de 1998, co-fundador e editor do Fala Objetiva. Ama estudar o Cinema em todos os seus aspectos. Sabe que ainda tem muito o que aprender, tanto no que diz respeito à Sétima Arte quanto à escrita, tendo como principal inspiração nessas áreas o grande Roger Ebert. Aspirante a Crítico e Diretor/Roteirista de filmes de baixo orçamento (perceba como ele tem vontade de passar fome). Ama o que faz, mesmo que ninguém partilhe desse amor.

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