• Leandro A. de Sousa

Crítica | Os Incríveis 2 (2018)


Direção & Roteiro

Brad Bird

Elenco

Craig T. Nelson, Holly Hunter, Sarah Vowell, Huck Milner, Samuel L. Jackson, Bob Odenkirk, Catherine Keener, Eli Fucile, Nicholas Bird, Brad Bird, Jonathan Banks, Michael Bird, Sophia Bush, Phil LaMarr, Paul Eiding, Isabella Rossellini, Bill Wise, John Ratzenberger, Kimberly Adair Clark, LaTanya Richardson, Jackson Barry Bostwick, Debi Derryberry, Fred Tatasciore, Alyson Stoner e Usher Raymond

Data de Lançamento

28 de Junho de 2018 (Brasil)

29 de Junho de 2018 (Exterior)

Nome Original

The Incredibles 2

Nota

⭐⭐⭐⭐

Gosto do sabor nostálgico que o cinema é capaz de evocar. Não que eu ache que todos os filmes que assisti em minha infância são verdadeiras obras-primas - até porque há a regra de que não devemos rever nenhum filme que gostávamos antes dos 13 anos para não nos desapontarmos -, mas Os Incríveis parece ter um peso maior em minhas memórias, pois muito além de ser uma obra-prima das animações, os eventos que me levam a ter um carinho imenso pelo longa vão muito além dele próprio. Lembro-me do meu padrasto chegando do trabalho aos sábados sempre com o jornal Extra embaixo do braço, o qual ele sempre comprava; lembro também da revista que acompanhava esse mesmo jornal, a qual não lembro o nome, mas eu me divertia com seus jogos de caça-palavras e o jogo dos sete erros; e claro, lembro-me da promoção que o jornal Extra lançou na época, trazendo 5 DVD's de animações, dentre eles, estava Os Incríveis. De todas essas memórias, a mais afetiva que tenho foi o dia em que acordei às 7h da manhã de um Domingo somente para assistir ao filme. Até hoje me encanta a ansiedade daquele moleque de 8 anos. Os Incríveis 2, muito além de todo esse valor nostálgico, tem um peso a carregar, pois é uma continuação quase 15 anos depois de um filme que se tornara um clássico, e respeitando todo esse peso, o longo começa no exato momento em que o filme termina, com a família incrível enfrentando O Escavador. Dessa forma, a lei que proíbe os heróis de exercerem suas atividades ainda está em vigor, portanto, o impacto das ações iniciais dos heróis faz com que o programa que os protegia enquanto estavam em anonimato seja encerrado, deixando-os a mercê da própria sorte. Nesse instante, um empresário misterioso que é apaixonado pelos heróis decide ajudá-los a voltar à ação.

Era nítida a vontade da Pixar de fazer um continuação para o longa, que desde o seu lançamento, em 2004, era algo falado. Porém, essa demora de 14 anos parece ter posto um certo medo de errar por parte dos produtores e do próprio Brad Bird, que se utiliza exatamente do mesmo plot do primeiro, onde um empresário misterioso decide ajudar os heróis a voltar a ativa - com a diferença de que o Síndrome era o típico vilão frustrado que só queria se vingar de Beto Pêra (T. Nelson) - Sim, eu vou utilizar os nomes criados pela dublagem brasileira nessa crítica, acostume-se. Ainda assim, Os Incríveis 2 encontra sua grande virtude ao mexer em assuntos atuais (mesmo se passando na mesma época na qual o primeiro foi lançado, que seria entre 2004 e 2005) e passa o protagonismo de Beto, para Helena (Hunter) - Mulher Elástica. E se adicionarmos ao primeiro filme com a sequência na qual ela vai até a ilha de Síndrome para resgatar Beto e a esse, vemos a incrível (rs) capacidade dela de resolver as situações de crise postas a sua frente e ainda assim se preocupar com a sua família.

Família essa que também ganha mais destaque - o que elucida mais uma das virtudes de Os Incríveis 2, que é conferir mais complexidade a personagens como Violeta , que desde o primeiro filme já era uma personagem interessante, e que ganha destaque nesse simplesmente por (ao passo de ser a adolescente irritante que ainda precisa lidar com as decepções da vida) também se preocupar em ser uma boa filha e ajudar ao pai a cuidar da família, assumindo o seu papel de irmã mais velha. O que me lembra dos filhos mais novos, principalmente de Zezé - que tirando o final do primeiro filme e o pequeno curta que mostrava a babá Karen enlouquecendo com os poderes do pequeno -, é a primeira vez que deslumbramos o leque de possibilidades que ele possui em relação aos seus poderes, e isso permite que a direção brinque, trazendo cenas hilárias para a tela, como aquela do guaxinim.

Dito tudo isso, é uma pena que Os Incríveis 2 traga um clímax tão óbvio que desde o início já era mais do que esperado, e, ao invés de o filme quebrar a expectativa revelando que o vilão não era um dos dois irmãos que tentam ajudar Helena a voltar à ativa, ele vai exatamente por esse caminho, traçando um roteiro óbvio que culminaria em um final desinteressante e repetitivo, que conversa (e muito) com o final do primeiro longa, e que novamente nos deixa com o gosto de uma sequência na boca.

No fundo, eu sinto que valeu a pena ter esperado 14 anos por essa sequência; ao mesmo tempo, sinto que esperava um pouco mais. Contudo, inovação não é o carro-chefe das animações (seja da Pixar ou da Disney), dessa forma, não há por que se decepcionar com Os Incríveis 2. É a história que conhecemos, com os personagens que amamos de uma das maiores animações desse estúdio, e lógico, é totalmente válido o sentimento nostálgico, pois se demorar mais 14 anos para sair o terceiro filme, muitas crianças de 8 anos hoje, no futuro, compartilharão do meu carinho por tais figuras.

Sobre o Autor:

Leandro A. de Sousa, 18 de Maio de 1998, co-fundador e editor do Fala Objetiva. Ama estudar o Cinema em todos os seus aspectos. Sabe que ainda tem muito o que aprender, tanto no que diz respeito à Sétima Arte quanto à escrita, tendo como principal inspiração nessas áreas o grande Roger Ebert. Aspirante a Crítico e Diretor/Roteirista de filmes de baixo orçamento (perceba como ele tem vontade de passar fome). Ama o que faz, mesmo que ninguém partilhe desse amor.

Twitter: _leandro_sa

Instagram: leandro.as

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