• Matheus P. Oliveira

Crítica | Homem-Formiga e a Vespa (2018)


Direção

Peyton Reed

Roteiro

Chris McKenna, Erik Sommers, Andrew Barrer, Gabriel Ferrari e Paul Rudd

Elenco

Paul Rudd, Evangeline Lilly, Michael Peña, Walton Goggins, Bobby Cannavale, Judy Greer, T.I., David Dastmalchian, Hannah John-Kamen, Abby Ryder Fortson, Randall Park, Michelle Pfeiffer, Laurence Fishburne, Michael Douglas, Madeleine McGraw, RaeLynn Bratten, Hayley Lovitt, Langston Fishburne, Dax Griffin, Stan Lee, Michael Cerveris, Riann Steele, Tim Heidecker, Tom Scharpling, Jon Wurster, Divian Ladwa, Sean Kleier, Goran Kostić e Benjamin Byron Davis

Data de Lançamento

28 de Junho de 2018 (Brasil)

29 de Junho de 2018 (Exterior)

Nome Original

Ant-Man and the Wasp

Nota

⭐⭐⭐⭐
 

Assim como o primeiro longa, que apresentou aos espectadores os personagens Scott Lang, Hank Pym e Hope van Dyne, a sua sequência, Homem-Formiga e a Vespa, é um dos filmes mais descontraídos do Universo Cinematográfico, tanto no quesito "humor" quanto no quesito "estilo". Formulaico mas funcional, assim é definido o seu humor, que além de seguir os passos e as fórmulas de longas anteriores do UC, possui um diretor que já se familiarizou com o tom e com os aspectos do herói Homem-Formiga; e da mesma forma se define o seu estilo, que não segue apenas o do anterior em certos momentos, mas o renova em outros, com movimentos de câmeras e recursos narrativos bastante criativos que dão identidade à franquia.

Peyton Reed é o diretor desse filme; o mesmo do primeiro. Assim como James Gunn, que fora contratado para escrever e dirigir Guardiões da Galáxia, cujo sucesso ainda era incerto devido ao pouco conhecimento que o público tinha dessa equipe, Reed tinha, obviamente em proporções menores, a mesma responsabilidade em mãos (com a diferença de que o Homem-Formiga era bem mais conhecido do que os Guardiões, antes mesmo dos respectivos filmes terem sido lançados). Atualmente, como se pode ver, Reed conquistou certa autonomia com a franquia do herói (e isto inclui diversos fatores, com a exceção do roteiro, que não é de sua autoria). Edgar Wright, desde 2006, antes mesmo do início do UC, havia sido cotado para dirigir Homem-Formiga, mas discordâncias criativas lhe tiraram do cargo que mais tarde seria ocupado por Peyton Reed. Ao pensar que Wright o dirigiria, é possível imaginar como seria a aparência do filme em questões narrativas e estilísticas (o leitor até imagina como seja); sendo assim, ao ver o primeiro filme, e principalmente o segundo, parece que Reed absorveu (como uma possível inspiração) parte da "direção wrightiana" no primeiro e no segundo (e um dos exemplos é a forma como é filmada a cena do relato de Luis (Peña) ao tomar uma injeção que o induz a dizer a verdade).

E como foi citada a cena do personagem Luis, seria conveniente falar da história do filme; vamos, então, a ela: Homem-Formiga e a Vespa se passa depois dos eventos de Capitão América: Guerra Civil e antes dos eventos de Vingadores: Guerra Infinita. Nele, Scott Lang (Rudd) se encontra numa prisão domiciliar por ter desobedecido sua pena quando resolveu lutar contra os heróis que eram a favor da Lei de Registro; no entanto, no filme, a pena está prestes a acabar. Assim, como ferramenta para complicar a trama e, consequentemente, a vida de Lang, Hank Pym (Douglas) e Hope van Dyne (Lilly) descobrem uma forma inusitada de encontrar Janet van Dyne (Pfeiffer) (esposa de Pym e mãe de Hope) no limbo, que ficou presa num campo subatômico. Pym então desenvolve um túnel quântico, que servirá para resgatá-la, e aqui é que a ajuda de Lang se tornará necessária.

No entanto, a utilidade de Scott Lang/Homem-Formiga é estabelecida de forma súbita, sem resultado de nenhuma de suas ações; é quase um Deus ex machina. Enquanto toma banho em sua banheira, num período de calma e contemplação, ele tem uma visão de Janet brincando com sua filha, Hope, ainda criança (e isso significa que ela ainda está viva). Ao saber disso, Lang liga para Pym para contar o que viu, e isto lhe interessa. Hope/Vespa então o captura e o leva ao laboratório de seu pai para colocá-lo no túnel quântico, mas Scott ainda está em prisão domiciliar, e precisa voltar para casa.

O arco de Scott Lang (que, por consequência, influencia na estrutura das tramas) resume-se assim: equilibrar a vida de homem comum (como pai e como alguém que quer voltar para Hope) e de super-herói (que encara as consequências da desobediência de sua pena), e o elemento inserido na forma de Deus ex machina, serve como um incentivo à realização desse equilíbrio. Artifício preguiçoso? Sim, mas não é possível esperar algo mais elaborado. "Intervenções" como essa já são comuns nos filmes do Universo Cinematográfico.

E este filme, de fato, precisa desta "intervenção", caso contrário, não haveria algo plausível ou mais urgente para iniciar sua história. Assim, é possível notar a maestria que os roteiristas da Marvel têm em inserir tramas a partir do nada, que sempre dão tempero a um novo filme, por mais convencional que elas sejam; e com Homem-Formiga e a Vespa não é diferente. Com uma série de exposições que estabelecem o pano de fundo narrativo, é revelado, ao espectador, tudo o que ele precisa saber e que precisará saber a partir dos arcos dos personagens: Scott Lang, em prisão domiciliar, sai de casa para ajudar aqueles com quem se preocupa e ama; Hope van Dyne, para ter sua mãe de volta, precisa de um equipamento para manter ativo o túnel quântico, mas tem como obstáculo Sonny Burch (Goggins), um contrabandista que o possui; a suposta vilã do filme, conhecida como A Fantasma (John-Kamen), também precisa do equipamento para curar o seu problema molecular, e o culpado por esse problema, segundo ela e segundo Bill Foster (Fishburne), é o Dr. Hank Pym.

Desse modo, nota-se em Homem-Formiga e a Vespa, uma narrativa absolutamente convencional, mas suficientemente funcional para um típico filme do Universo Cinematográfico.

Se alguém dissesse que todos os filmes do Universo Cinematográfico, a partir da Fase 2, foram escritos pela mesma pessoa, seria fácil de acreditar, pois parece que a estrutura da maioria dos roteiros deles têm muito em comum; são parecidos uns com os outros, e satisfazem o público com a mesma convencionalidade de sempre; diferente da direção, que é algo mais pessoal (apesar de existir padrões de enquadramentos, edição, paletas de cores, etc.). Aliás, Peyton Reed faz um razoável trabalho de direção nesse filme, inclusive na direção de atores, ao reinserir neles a mesma caracterização dos personagens. A carisma de Paul Rudd, como Scott Lang, e a de Evangeline Lilly, como Hope van Dyne, permanecem; Michael Douglas e Michelle Pfeiffer, veteranos na atuação, nem precisam se esforçar para realizar suas interpretações; Michael Peña, hilário como sempre; e Walton Goggins, razoável.

Em suma, Homem-Formiga e a Vespa pode não ser um grande filme, e não tem a pretensão nem a qualidade para ser um, mas é suficientemente divertido para um público que já se acostumou com a convencionalidade que o Universo Cinematográfico consolidou em suas obras.

Sobre o Autor:

Matheus P. Oliveira, 6 de Agosto de 1998, co-fundador e editor do Fala Objetiva. Estuda Jornalismo e Cinema - este último de forma autodidata. Ainda sonha em conhecer por completo o rico universo que o Cinema possui. Atualmente tem como inspirações os críticos Roger Ebert, Pauline Kael e Luiz Carlos Merten e, de forma árdua, tenta unificar ao máximo todas as outras artes em sua mais que amada arte: o Cinema. Quanto ao futuro - não muito distante -, ele pretende dirigir e escrever alguns filmes.

Twitter: mathp_oliveira

Instagram: mathp_oliveira

#Crítica #HomemFormigaeaVespa #Marvel #AntMan #Wasp