• Matheus P. Oliveira

Uma Palavrinha #006 | Ilha dos Cachorros (2018)


Ilha dos Cachorros é um filme de animação que evolui e que funciona com a ação de se empolgar com o seu próprio estilo (este que, desta vez, flerta com a cultura nipônica, justamente por se passar no Japão), pois o diretor, Wes Anderson, conhece a natureza do estilo que desenvolveu durante anos de carreira: a maravilhosa forma de contar histórias como se fossem fábulas. Embora esse estilo já seja algo consolidado e visível na maioria de suas obras, Anderson, em cada um de seus filmes, prefere estabelecê-lo aos poucos, pois cada filme tem seu próprio terreno, seu próprio rosto, sua particularidade. Wes Anderson possui pleno equilíbrio em seus trabalhos, sabendo dosar os elementos que poderiam torná-los bobos, principalmente tratando-se dos stop motions, que em sua própria essência, já carregam certa feição lúdica, infantil; assim como O Fantástico Sr. Raposo, Ilha dos Cachorros tem essa brilhante dosagem. Indo para a história do filme, acompanhamos a ação de um político que decide criar uma lei proibindo os cachorros de morarem na cidade, para que eles assim sejam enviados a uma ilha vizinha repleta de lixo. Atari Kobayashi, o sobrinho desse político, não aceita se separar do cachorro Spots, que é seu grande e fiel amigo. Como podem ver, esta é a típica história da ascensão de um personagem que se vê minúsculo diante de obstáculos, mas é motivado a lutar por motivos maiores. É interessante como os filmes do Wes Anderson são fáceis de serem analisados e, ao mesmo tempo, não tão óbvios de serem vistos, por razão de seus aspectos estéticos. A maioria deles são agridoces, e apresentam uma estrutura narrativa tradicional, mas a forma como são feitos enfeitam o que já é belo, como um bolo recheado de glacê.

Sobre o Autor:

Matheus P. Oliveira, 6 de Agosto de 1998, co-fundador e editor do Fala Objetiva. Estuda Jornalismo e Cinema - este último de forma autodidata. Ainda sonha em conhecer por completo o rico universo que o Cinema possui. Atualmente tem como inspirações os críticos Roger Ebert, Pauline Kael e Luiz Carlos Merten e, de forma árdua, tenta unificar ao máximo todas as outras artes em sua mais que amada arte: o Cinema. Quanto ao futuro - não muito distante -, ele pretende dirigir e escrever alguns filmes.

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