• Leandro de Sousa

Crítica | Os Jovens Titãs Em Ação! Nos Cinemas (2018)


Direção

Aaron Horvath & Peter Rida Michall

Roteiro

Aaron Horvath & Michael Jelenic

Elenco

Scott Menville, Greg Cipe, Tara Strong, Hynden Walch, Kristen Bell, Will Arnett, Nicolas Cage, Jimmy Kimmel, Halsey, Dana Snyder, Lil Yachty, James Corden, Eric Bauza, Michael Bolton, Patton Oswalt, Meredith Salenger, Wil Wheaton e Stan Lee.

Data de Lançamento

30 de Agosto de 2018 (Brasil)

27 de Julho de 2018 (Exterior)

Nome Original

Teen Titans Go! To The Movies

Nota

⭐⭐⭐

"No meu tempo era melhor", o saudosismo é algo que há um bom tempo está em alta, e aceitar algo novo daquela realidade que vivemos em nossa infância parece ser algo infame, ao ponto de alguns abrirem a boca ou esticar os dedos para dizer: "nossa, isso estragou a minha infância" - os remakes de She-Ra e Thundercats não me deixam mentir. Dito isso, a nova leva de desenhos da Cartoon decidem apostar na bobagem pura e no non-sense; mas claro, sempre buscando um subtexto profundo com alguma mensagem por trás de toda essa maluquice aparentemente sem sentido, como é o caso de Hora de Aventura e Steven Universo. Os Jovens Titãs em Ação! segue a risca essa linha de narrativa (porém, aqui o non-sense é muito mais forte do que nos exemplos anteriores), não tendo preocupação alguma com a seriedade, a lógica ou até mesmo com o Canon de suas histórias, já que o desenho é uma série de referências jogadas na tela que deliciam até mesmo aqueles que detestam a Cartoon atual, mas que amam a DC Comics. A decisão de fazer um longa parece uma loucura para alguns que juram de pé junto que o desenho é uma porcaria – nunca tendo certeza visto um episódio ou sempre tentando compará-lo com a versão muito mais séria e sombria de Sam Register e Glen Murakami lançada em 2003. A verdade é que a decisão de crescer é dura, e durante os quase 90 minutos de Os Jovens Titãs Em Ação! Nos Cinemas, o filme desafia nossa maturidade e o sorriso de canto de boca vai se alongando até arrancar uma gargalhada aqui ou ali.

Assim como na série, o filme parece querer o total descompromisso com a lógica e com a sutileza acima de tudo, não só trazendo referências dos universos DC e Marvel (sim, Marvel) como brincando com o próprio conceito de referências que muitas vezes soam forçadas em outros longas. Temos exemplos como De Volta Para o Futuro, Superman (1979) e até mesmo uma ponta do próprio Stan Lee, onde o deboche com o que conhecemos dessa ideia soa provocativo para com o outro estúdio, já que o personagem do autor vem até à câmera para ficar claro que ele está dançando ali no fundo. No início, conhecemos o conflito dos nossos heróis, principalmente o de Robin (Menville), líder dos Jovens Titãs, que acredita que para ser levado a sério é preciso ter um filme, como outros grandes heróis. Nesse momento é estabelecida a linha narrativa, com uma música de introdução. O longa parece ser um semi-musical, que surpreendentemente funciona. Cenas como na qual eles decidem partir para Hollywood atrás de realizar o sonho de Robin, na qual eles dançam e cantam com um tigre albino que simplesmente apareceu e no final atropelam ele; ou aquela na qual eles conseguem salvar Krypton para que o Superman nunca chegasse a terra, trazem uma vivacidade para o longa - e é onde toda a sua criatividade se encontra. Infelizmente é aí onde essas características encontram seu limite, já que o roteiro do filme parece não justificar de forma alguma o motivo de sua existência, sendo, assim como Os Simpsons: O Filme, apenas um episódio grande da série original, podendo muito bem ser um filme feito para TV. Se sustentar através de referências - mesmo que algumas sejam muito boas - e piadas de peido que parecem ter saído de um filme do Adam Sandler não é algo para se orgulhar. Há cenas que não têm propósito algum para a continuidade da história, como a citada no parágrafo anterior, onde os Titãs voltam no tempo para impedir o nascimento de todos os outros herói, já que eles só poderiam ganhar um filme no caso de não haver mais nenhum Salvador no mundo – eles só esqueceram de eliminar os vilões também. (SSSSSSlade) Quem viu a animação de Register e Murakami também vai pegar essa: o vilão Slade é um personagem que torna o longa mais divertido, apesar de uma motivação óbvia demais para qualquer vilão - ainda mais de um filme de heróis. A batalha final, apesar de seus exageros, entona o design de produção do filme, que se destaca ao passar da projeção com cenas onde os traços se transformam, e o tom cartunesco e linhas simples nas quais os nossos heróis são originalmente desenhados, ganham por vezes, formas mais realistas ou brutas, dando uma variedade ímpar e que muitas vezes salta aos olhos. O filme, às vezes, nos coloca em uma odisseia artística tão bela que compensa seus erros. Erros estes que também se encontram nos outros personagens membros do grupo, que só servem realmente para fazer piadas, já que o único que tem algum desenvolvimento é Robin, que só é líder do grupo, pois não há mais nenhum candidato - afinal, ego e arrogância certamente não são requisitos apropriados para essa posição, acredito eu.

Parece ser injusto cobrar tanto de um longa infantil que não se leva a sério, mas alguns conceitos básicos precisam ser seguidos e até os Titãs precisam de limites, afinal, já foi mais do que provado que animações infantis não precisam apelar para piadas de peido para divertir os pequenos. E a diversão em Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinema, infelizmente permanece no momento que estamos assistindo ao filme, mas a memória é algo que pode ser eterno ou pode desaparecer enquanto descemos as escadas para a saída. No caso de Os Jovens Titãs eu já estava esquecendo do filme enquanto levantava da poltrona.

Mas é válido, mesmo que por apenas 90 minutos, voltar um pouquinho à infância. O problema é que o crítico chato sempre desperta quando as luzes se acendem.

Sobre o Autor:

Leandro A. de Sousa, 18 de Maio de 1998, co-fundador e editor do Fala Objetiva. Ama estudar o Cinema em todos os seus aspectos. Sabe que ainda tem muito o que aprender, tanto no que diz respeito à Sétima Arte quanto à escrita, tendo como principal inspiração nessas áreas o grande Roger Ebert. Aspirante a Crítico e Diretor/Roteirista de filmes de baixo orçamento (perceba como ele tem vontade de passar fome). Ama o que faz, mesmo que ninguém partilhe desse amor.

Twitter: _leandro_sa

Instagram: leandro.as

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