• Leandro de Sousa

Crítica | A Freira (2018)


Direção

Corin Hardy

Roteiro

Gary Dauberman & James Wan

Elenco

Bonnie Aarons, Taissa Farmiga, Demián Bichir, Charlotte Hope, Ingrid Bisu, Manuela Ciucur, Jonas Bloquet, Jonny Coyne, Jared Morgan, Sandra Teles, Boiangiu Alma, August Maturo

Data de Lançamento

06 de Setembro de 2018 (Brasil)

07 de Setembro de 2018 (Exterior)

Nome Original

The Nun

Nota

⭐⭐

Invocação do Mal, mesmo sendo uma franquia que persiste em várias convenções do gênero, trouxe um novo fôlego ao Terror. Desde jump scares, trilhas com notas altas e pausas dessas antes dos sustos são elementos típicos em seus longas. Todavia, é inegável a capacidade de James Wan de criar atmosfera em seus longas. Dessa forma, é fato que ele consiga empregar esses clichês de forma eficiente, sempre tendo filmes carregados e com cenas icônicas dentro desse universo, que faz com que nos encolhamos na poltrona em dados momentos. Isso se reflete nos derivados Annabelle, que mesmo não tendo sido Wan que dirigiu, há nele uma clara mão do autor - apesar de, como um todo, Annabelle ser uma obra medíocre. Vemos isso agora na prequel, A Freira.

Se passando no início dos anos 50, Padre Burke (Bichin) é convocado pelo Vaticano para ir à Romênia investigar o suicídio de uma freira em uma antiga abadia. Antes de ir, ele vai até um convento para levar consigo Irmã Irene (Farmiga) - algo que aliás não fica muito bem explicado o porquê de o Vaticano ter escolhido a moça, já que ela, além de ainda não ter proferido seus votos, também nunca esteve na Romênia ou sequer demonstra ter conhecimento da existência de tal abadia. Quando questiona a escolha do Vaticano ao padre, ele se limita a dizer que o Vaticano sempre tem um motivo para as escolhas que toma - tipo queimar mulheres na fogueira.

O fato é que a história e a narrativa pouco importam, pois se o filme apenas contasse com tais elementos, ele seria a maior perda de tempo (e dinheiro) cinematográfica dos últimos tempos, já que as facilitações narrativas e a preguiça do roteiro em contar o que se passa e quem seria esse demônio que atormenta aquele local, é visível. O ponto mais alto do longa é, sem dúvida, a direção de Corin Hardy, que não é de forma alguma um diretor inventivo; aqui ele faz mais do mesmo, só que muitas vezes funciona. Empregando a estética gótica de Wan, o design de produção muitas vezes nos deixa em situações claustrofóbicas, e isso é visto, por exemplo, em cenas como na qual o Padre Burke fica preso dentro do caixão; não bastasse a situação desconfortável, a câmera fica variando os ângulos dentro do compartimento, e a circunstância se torna ainda mais agoniante quando o problema não é o fato de o padre estar ali dentro, e sim quem está lá com ele.

Corin também trabalha muito bem seus ângulos de câmera, deixando muitas vezes o medo apenas como sugestão, e os símbolos que aparecem ao longo do filme são de arrepiar, como por exemplo, a estátua de Jesus Cristo na cruz sem cabeça. Além de cenas onde não podemos ver os rostos das freiras como se fossem algo maligno e monstruoso (o que de fato são).

Mas isso tudo não consegue sustentar o filme por completo. Uma boa direção ajuda, mas o roteiro pobre e sem ideias atrapalha. A começar pelos conflitos de Burke, que parecem somente servir para ele ter uma distração quando estiver sozinho. Irene é uma personagem interessante, mas é óbvio demais e até um pouco tolo o fato de terem escalado Taissa Farmiga, não por incompetência da atriz, que transmite muito bem a inocência e o medo de sua personagem nos momentos certos, mas sim pela semelhança entre ela e sua irmã, Vera Farmiga; o filme parece querer sugerir ao espectador que aquilo também poderia ser uma história de origem para Lorraine. No final, para não deixar essa dúvida no ar, eles fazem questão de mostrar Irene proferindo seus votos antes de enfrentar Valak (Aarons) pela última vez em uma cena que não serve para absolutamente nada. Aliás, a cena final na qual Valak aparece emergindo da água é de fato assustadora, e sinceramente, foi a primeira vez que fiquei feliz por não ter uma piscina em casa.

A Freira, assim como Annabelle, não adiciona muito ao universo de Invocação do Mal, sendo duas prequels eficientes como entretenimento em um certo nível; contudo, de nada servem para agregar a história. Isso também se deve pelo fato de que Ed e Lorraine se tornaram personagens icônicos demais, e com isso é natural sentirmos falta deles nos derivados. Não é à toa que eles aparecem no início de Annabelle e no fim de A Freira, fazendo que nem nos filmes da Marvel, a velha e boa piscadinha para o público sedento por referências.

Sobre o Autor:

Leandro A. de Sousa, 18 de Maio de 1998, co-fundador e editor do Fala Objetiva. Ama estudar o Cinema em todos os seus aspectos. Sabe que ainda tem muito o que aprender, tanto no que diz respeito à Sétima Arte quanto à escrita, tendo como principal inspiração nessas áreas o grande Roger Ebert. Aspirante a Crítico e Diretor/Roteirista de filmes de baixo orçamento (perceba como ele tem vontade de passar fome). Ama o que faz, mesmo que ninguém partilhe desse amor.

Twitter: _leandro_sa

Instagram: leandro.as

#TheNun #TheConjuring #Conjuringverse #JamesWan #CorinHardy