• Matheus P. Oliveira

Dica do Dia | Hiroshima, Meu Amor (1959)


Antes de quebrar as convenções de campo e contra campo com O Ano Passado em Marienbad, o inventivo diretor francês Alain Resnais já experimentava o poder da memória, dispondo-se de truques técnicos de edição e ritmo, numa obra um tanto pessoal chamada Hiroshima, Meu Amor. O filme aborda o caso, de um dia, entre um japonês (Okada) e uma francesa (Riva), utilizando como pano de fundo a cidade-título, em décadas posteriores à Segunda Guerra Mundial. 

O longa já se inicia revelando o seu caráter pessoal e inventivo, mostrando não apenas o casal se amando, mas já abordando – como fora antes comentado – o poder da memória e de sua construção, centrando-se nas tragédias que a cidade japonesa Hiroshima sofreu, através da interessante conversa entre a francesa e o japonês. 

Nessa sequência inicial, de uns 15 minutos de duração, logo é notada a genialidade artística de Resnais, que cria uma espécie de “colagem”, intercalando planos às descrições da personagem francesa, de modo que a partir destas colagens já se estabelece certa sensualidade e intimidade entre os protagonistas, e a atmosfera que o filme quer nos mostrar. Para quem gosta de um cinema estilístico e de pura forma, que usa técnicas que desafiam as convenções, e que brincam com nossas percepções, gostará do tocante, sensual e pomposo Hiroshima, Meu Amor.

Hiroshima, Meu Amor (Hiroshima mon amour - França, Japão, 1959). Direção: Alain Resnais. Roteiro: Marguerite Duras. Elenco: Emmanuelle Riva, Eiji Okada, Stella Dassas e Pierre Barbaud. Duração: 90 minutos.