• Leandro de Sousa

Crítica | Creed II (2019)


Direção

Steven Caple Jr.

Roteiro  Sylvester Stallone & Cheo Hodari Coker

Elenco 

Michael B. Jordan, Sylvester Stallone, Tessa Thompson, Wood Harris, Phylicia Rashād, Dolph Lundgren, Florian Munteanu, Andre Ward, Brigitte Nielsen, Milo Ventimiglia, Russell Hornsby, Carl Weathers, Robbie Johns, Jacob 'Stitch' Duran, Patrice Harris, Ana Gerena, Christopher Mann, Robert Douglas, Benjamin Vaynshelboym, Angelina Shipilina, Pavel Vakunov, Oleg Ivanov, Pete Postiglione, Billy Vargus, Zack Beyer, Chrisdine King, Johanna Tolentino, Eleni Delopoulos, Marcia Myers, Ivo Nandi, Dmitry Torgovitsky, Michael Buffer, Jim Lampley, Max Kellerman e Roy Jones Jr.

Data de Lançamento

24 de Janeiro de 2019 (Brasil)

21 de Novembro de 2018 (Exterior)

Nota

⭐⭐⭐⭐

Filmes da saga Rocky eram difíceis de nos decepcionar, pois sempre sabíamos como eles começariam e terminariam: Rocky (Stallone) seria desafiado por um oponente mais forte do que ele, treinaria com toda a sua determinação e garra e no final, logicamente, sairia vitorioso. Sim, soa repetitivo, mas... e daí? Eram filmes honestos no final das contas, entregando o que precisava ser entregue. Além disso, Rocky: Um Lutador (1976)  foi lançado dentro de um contexto sociopolítico no qual o pessimismo e o desânimo reinavam entre o povo daquele país, seja por fatores internos ou externos – entre Nixons, Vietnan’s e Guerras Frias. Veio para revitalizar o espírito e o orgulho americano, dizendo que mesmo tudo parecendo perdido, você deve lutar até o fim, mesmo que esse fim signifique a derrota. Era isso que Rocky trazia em seu enredo, e a verdade é que ele faz isso até os dias atuais.

Tendo um leque tão interessante de personagens, onde cada um deles possui uma característica própria e carregam seus próprios conflitos, Rocky gerou, meio que sem querer (ou não), Adonis Creed (Jordan), filho do falecido Apollo Creed, que em uma nova saga retira Rocky do papel de protagonista e o coloca, de forma esplendorosa, como um coadjuvante. Já começamos Creed II com um toque de Rocky III, no qual Adonis, já como um lutador consagrado, está construindo seu próprio legado, e sabendo do peso que seu nome carrega, tem como objetivo deixar esse nome mais leve para si próprio, se provando a cada luta.

Algo que acho interessante desde Creed: Nascido Para Lutar (2015), é que ele também possui o enredo que vemos em Rocky (1976), muito além de uma narrativa que segue o mesmo caminho; ele também explora as complexidades de seus personagens. Antes de entrar no ringue, Balboa precisa ser vitorioso fora dele - acredito que isso seja mais bem explorado em Rocky II (1979). No caso de Creed II, Adonis é visitado por um fantasma do passado que ele sequer conheceu, mas que selou seu destino. Como sabemos, ele nunca conhecera seu pai, pois além de ser fruto de um relacionamento extraconjugal de Apollo, ele morrera na luta contra Ivan Drago (Lundgren) em Rocky IV (1985); ao final, este último é derrotado por Rocky – tirando toda aquela bobagem política, e o discurso de Rocky no final, eu até gosto dessa sequência.

Entretanto, para Adonis, essa vingança precisa ser selada, mas para isso ele precisaria derrotar Viktor (Munteanu), filho de Ivan, que junto de seu pai fora isolado de seu país depois deste ser derrotado por Rocky, perdendo todo o seu prestígio, inclusive a esposa dele que o deixara com um filho pequeno para criar. É interessante como o roteiro mostra a relação de ambos: Viktor foi criado no ódio, ódio este que seu pai semeava por Rocky, pois o culpava por tudo o que aconteceu com ele (o que fazia sentido). Rocky, sabendo disso, não queria fazer parte dessa vingança, tanto de Adonis quanto de Ivan, pois sabia que aquela luta não era entre aqueles dois rapazes. Nesse momento entra o simbolismo da lâmpada queimada em frente à casa de Balboa, dizendo a Adonis que ele estava se desligando dele naquele momento, assim como Mickey tentou fazer 30 anos antes na luta contra Clubber Lang, pois sabia que as chances dele eram mínimas contra um oponente tão poderoso. É uma pena que no caso de Mickey, aquilo lhe custou a vida.

Sim, Creed II é uma básica história de vingança por vários lados, e o roteiro de Stallone em conjunto a Cheo Hodari poderia se limitar a isso, mas quando saímos do ringue, conhecemos as reais lutas de Adonis, que espera uma criança com Bianca (Thompson). Após ser derrotado por Viktor na primeira luta e ter um destino próximo ao de seu pai, Adonis percebe que o nome "Creed" é muito mais pesado do que ele imaginava. Vencer no ringue não seria suficiente, e dessa forma, cenas como aquela na qual ele sente um claro medo ao ser deixado sozinho com sua filha, se tornam necessárias, chegando a levá-la para a academia onde treina, pois ali era o único local onde ele se sentia seguro, e para ser o suficiente para aquela criança, ele não poderia sentir medo.

Claro, a obra comete seus tropeços que vemos na saga Rocky em geral; todos aqueles clichês estão presentes e até mesmo cenas que dão um pouco de vergonha como aquela na qual Bianca vem cantando enquanto Adonis segue em direção ao ringue para a última luta contra Viktor. Falando em luta, é um pouco difícil não notar a direção mais pragmática de Steven Caple Jr., que abandona os longos planos feitos por Ryan Coogler no primeiro filme, soando um tanto quanto frustrante e trazendo à tona uma imensa falta do diretor pelo menos nessas cenas.

Como sabemos, e seria impossível isso ser um spoiler, Adonis vence essa luta, e assim como no primeiro filme, somente para que Rocky não perdesse completamente o seu protagonismo, ele precisava de algum conflito relevante; dessa vez, tal conflito se encontra em seu filho que ele não vê há anos. O que me leva a elogiar a incrível performance de Stallone, que parece não fornecer esforço algum quando está na pele de Balboa, tornando um personagem totalmente palpável, expressando todo o cansaço que o lutador sente em tons baixos de voz e expressões melancólicas, sempre parecendo lembrar do seu passado. E nessas lembranças, Rocky ainda precisava vencer suas lutas internas. Portanto, era necessário que ele também enfrentasse os seus fantasmas. O conflito de Rocky se torna ainda mais triste quando lembramos do falecido filho de Stallone. Não paro de pensar que ele se inspirou nesse triste episódio de sua vida para escrever parte desse roteiro, afinal, Rocky é seu personagem mais humano.

Creed II é emocionante, pois traz de volta todo aquele espírito que Rocky: Um Lutador trouxe consigo em 1976. É repetitivo, pois já vimos essa história um milhão de vezes, mas honestamente isso pouco me incomoda, sempre me emociona e sinto que poderia assistir mais 100 derivados dessa incrível saga - claro que meu amor pelo longa original ajuda nisso.

Sobre o Autor:

Leandro A. de Sousa, 18 de Maio de 1998, co-fundador e editor do Fala Objetiva. Ama estudar o Cinema em todos os seus aspectos. Sabe que ainda tem muito o que aprender, tanto no que diz respeito à Sétima Arte quanto à escrita, tendo como principal inspiração nessas áreas o grande Roger Ebert. Aspirante a Crítico e Diretor/Roteirista de filmes de baixo orçamento (perceba como ele tem vontade de passar fome). Ama o que faz, mesmo que ninguém partilhe desse amor.

Twitter: _leandro_sa

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