• Leandro de Sousa

Diário de Quarentena #03 | O Cinema de Cinema Paradiso

Atualizado: 4 de Abr de 2020

Cinema Paradiso (1988)

Qual foi a primeira vez que você foi ao cinema? Qual o primeiro filme? Você comeu pipoca? Riu? Chorou? Dormiu? Pode parecer uma lembrança irrelevante se para você assistir filmes é uma mera bobagem e um entretenimento vazio. De fato, uma das peças fundamentais do Cinema é o entretenimento e não poderia deixar de ser. Dentro de uma sala escura construímos as mais diversas memórias, é como se essa sala em certo momento se tornasse um templo para essas memórias, aonde as mais doces ou tristes ficam guardadas. Assim é Cinema Paradiso, agridoce. Giuseppe Tornatore constrói um templo de memórias para o pequeno Totó, um rapazinho que é apaixonado por Cinema, que vive por isso e até respira Cinema. Na sala de projeção, aonde ficam armazenados aqueles rolos de filme, ele também armazena as suas memórias; a mudança do Cinema acompanha a mudança de Salvatore e quando ele parte daquela pequena vila para nunca mais voltar, a inevitável ruína daquele templo acontece sem que o mesmo saiba. Ele volta para se despedir do seu melhor amigo e pai até certo ponto, Alfredo. Vê seu templo de memórias em pedaços e percebe como a vida já não pode imitar a arte, que a doçura da infância acaba para todos, mas nem por isso a vida adulta precisa ser de toda amarga. No caso de Salvatore - ou Totó - ele ao sair dali e deixar seu templo para trás, criou para si e para todos os outros diversos templos aonde podiam confiar em depositar suas memórias.


Cinema Paradiso é uma das maiores cartas de amor ao Cinema que alguém poderia realizar. Giuseppe ao lado de Morricone - que compõe a formidável trilha sonora - criam uma ode a sétima arte. É o Cinema dizendo ao Cinema que o ama.


Até amanhã!



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Sobre o autor:


Leandro A. de Sousa, 18 de Maio de 1998, co-fundador e editor do Fala Objetiva. Ama estudar o Cinema em todos os seus aspectos. Sabe que ainda tem muito o que aprender, tanto no que diz respeito à Sétima Arte quanto à escrita, tendo como principal inspiração nessas áreas o grande Roger Ebert. Aspirante a Crítico e Diretor/Roteirista de filmes de baixo orçamento (perceba como ele tem vontade de passar fome). Ama o que faz, mesmo que ninguém partilhe desse amor.

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