• Matheus Oliveira

Diário de Quarentena #07 | Bergman em Nota Menor


Sonata de Outono (1978)

Filme vago e bastante alheio, mesmo que o seu modo de chegar ao clímax seja todo aquele devaneio encenado "bergmaniano" típico que se intensifica a cada segundo. Aliás, este filme é mais encenado do que se parece: existe, sim, aquele método de posicionar os atores num vaivém dentro do quadro (no qual um fica ao fundo divagando, enquanto que o outro, com o nariz na câmera, escuta), mas tudo aqui é muito robótico, e o que faz parecer naturalidade é, na verdade, a dureza do controle de Ingmar Bergman sob as veteranas Liv e Ingrid, que são naturais até onde são permitidas. O que vemos de brilhante nelas é nada mais que o brilho de suas experiências de seus trabalhos anteriores, só que agora erigidos em seus semblantes; não há, em Autumn Sonata, um diferencial em suas performances. Não lembraremos deste filme como um marco em suas carreiras. E isto é triste. O filme inteiro prepara o ambiente até a discussão da mãe e da filha, mas esta discussão, que é o clímax, parece mais um acesso afetado de cólera do que uma situação natural em que a filha desabafa todos os malogros que passou por causa de sua mãe. Parece interessante esta premissa, mas sua execução em termos de drama não funciona: é um desabafo genérico que pretende expor devaneios filosóficos. Agora, no que se refere ao "controle de Ingmar Bergman", não me refiro a um controle kubrickiano, apenas digo que aqui Bergman se encontra no piloto automático, e que para amenizar o aspecto vago deste seu trabalho genérico (para o seu padrão, pelo menos), põe as veteranas Liv e Ingrid também num penoso piloto automático, pois nem elas são capazes de operar milagres, afinal, o próprio argumento de Autumn Sonata é alheio ao próprio drama que aborda.



Até a Próxima!





Sobre o autor:

Matheus P. Oliveira, 6 de Agosto de 1998, co-fundador e editor do Fala Objetiva. Estuda Jornalismo e Cinema - este último de forma autodidata. Ainda sonha em conhecer por completo o rico universo que o Cinema possui. Atualmente tem como inspirações os críticos Roger Ebert e Pauline Kael e, de forma árdua, tenta unificar ao máximo todas as outras artes em sua mais que amada arte: o Cinema. Quanto ao futuro - não muito distante -, ele pretende dirigir e escrever alguns filmes.


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